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O papel do MPT e o combate ao trabalho escravo abrem os debates no Seminário em Baturité

Fotografia em plano aberto e frontal de dez pessoas alinhadas lado a lado no palco de um auditório, de pé e em postura formal. Homens usam ternos e as mulheres usam vestidos ou terninhos formais em tons de verde, preto, azul, bege e amarelo. Ao fundo, um painel exibe a imagem de uma bandeira do Brasil em movimento. À frente do palco, arranjos de folhagens e flores brancas ornamentam o chão sobre um tapete estampado.
Solenidade de abertura contou com a presença de autoridades locais e do Sistema de Justiça cearense

Nessa quinta-feira (15/10), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (Ejud-7) deu início ao 10º Seminário Regional de Direito Material e Processual do Trabalho, sediado no município de Baturité. O evento reuniu cerca de 150 pessoas, entre magistrados, procuradores, advogados, servidores e estudantes de direito, no auditório do Centro Universitário Maciço do Baturité para discutir os desafios contemporâneos e os reflexos das novas dinâmicas sociais nas relações trabalhistas.

Fotografia em plano médio mostrando duas pessoas sentadas em cadeiras de madeira de estilo clássico. À esquerda, uma mulher de terno azul-marinho e cabelos escuros olha para o lado. À direita, um homem de terno cinza-escuro, camisa branca e gravata vermelha olha para a frente. Ao fundo, há um painel luminoso com textos do evento.
Desembargadores Fernanda Uchoa e Paulo Régis Botelho

Durante a solenidade de abertura, a presidente do TRT-CE, desembargadora Fernanda Uchoa, ressaltou a relevância de promover a reflexão e o diálogo sobre as responsabilidades dos profissionais e acadêmicos do Direito. Em seu discurso, a magistrada enfatizou a busca por uma prestação jurisdicional humanizada e eficiente.

"Desejo que todos e todas aproveitem ao máximo esse momento de aprendizado, troca de experiências e construção de novas ideias, levando consigo reflexões que contribuam para uma atuação profissional cada vez mais qualificada e para uma Justiça mais acessível, humana e atenta", declarou a magistrada.

O conselheiro do CNJ e diretor da Ejud-7, desembargador Paulo Régis Machado Botelho, destacou que o seminário marca o encerramento do ciclo de interiorização das ações da Escola. Ele salientou a importância da integração acadêmica e institucional proporcionada pelo encontro no Maciço de Baturité.

O desembargador explicou ainda que a escolha dos temas debatidos no seminário buscou conciliar debates nacionais com especificidades e pautas relevantes da região. Ele citou como exemplo a proximidade com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), o que motivou a inclusão de painéis sobre combate ao trabalho escravo e questões raciais na programação do evento.

Regionalização do debate jurídico

Fotografia em plano médio de uma mulher de cabelos loiros e curtos, usando óculos de armação escura e vestido verde. Ela está posicionada no púlpito de granito, segurando um microfone com a mão direita e discursando. Ao fundo, veem-se cortinas escuras e bandeiras oficiais dispostas verticalmente.
Titular da VT de Baturité, juíza Lena Xerez

A juíza titular da Vara do Trabalho de Baturité, Lena Marcílio Xerez, expressou grande satisfação em receber o seminário na cidade, município do qual recebeu o título de cidadã baturiteense após quase uma década de atuação na região. A magistrada ressaltou que a jurisdição abrange 12 municípios do Maciço do Baturité e destacou o evento como “uma oportunidade crucial para debater os novos rumos do mercado de trabalho, o impacto das tecnologias e a busca pelo equilíbrio entre o capital e o trabalho, mantendo o foco central na preservação da dignidade do trabalhador”.

Ela também enfatizou o papel formador do evento para os estudantes de direito da região, destacando a importância da união entre teoria, prática e atuação irmanada de juízes, advogados, professores e Ministério Público na construção de relações trabalhistas mais humanizadas.

Fotografia em plano médio de um homem de óculos e cabelos curtos grisalhos, usando terninho cinza, camisa preta e gravata escura. Ele está em pé diante de um microfone, falando ao público. Ao fundo, aparecem cortinas escuras e partes de bandeiras.
Edilson Castro, reitor do Centro Universitário do Maciço de Baturité

Já o reitor do Centro Universitário, professor Edilson Castro, prestou agradecimento ao TRT-CE pela escolha da instituição como sede do seminário, destacando o impacto positivo que o evento traz diretamente para a comunidade acadêmica e para a região do Maciço do Baturité. Segundo ele, receber juristas e desembargadores no próprio centro universitário fortalece o aprendizado dos estudantes e valoriza o corpo docente e a coordenação do curso de Direito.

Programação técnica

Fotografia em plano geral e elevado que mostra o auditório repleto de pessoas sentadas em fileiras de cadeiras. No canto direito, uma mulher com vestido amarelo fala em um púlpito. O ambiente é iluminado, com teto branco, piso claro e um tapete estampado avermelhado no centro, rodeado por arranjos de flores e plantas baixas.
Procuradora Ana Valéria Targino (em pé à direita) deu palestra para um auditório lotado

Durante sua participação na palestra de abertura, a procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE), Ana Valéria Targino de Vasconcelos, ressaltou que o órgão tem priorizado frentes de atuação urgentes diante das transformações nas relações de trabalho. Sua apresentação, intitulada “O Papel do MPT no Sistema de Justiça”, apontou que, entre os focos principais do órgão, estão o combate ao trabalho infantil e análogo à escravidão, a coibição de fraudes trabalhistas, a garantia da saúde e segurança para conter os crescentes acidentes de trabalho, além do enfrentamento aos assédios moral, sexual e eleitoral.

A procuradora chamou atenção especial para a saúde mental dos trabalhadores e os riscos psicossociais no ambiente corporativo, que têm gerado um aumento expressivo de denúncias de adoecimento ocupacional. Ela detalhou que a atuação do MPT ocorre tanto na esfera repressiva, por meio da instauração de procedimentos de investigação para apurar e sanar irregularidades a partir de denúncias, quanto na vertente preventiva, considerada fundamental.

"Prevenir hoje é a palavra que vem à frente da nossa atuação dentro da instituição. A gente não quer que a violência ou a irregularidade ocorra, não quer que aquele trabalhador venha a sofrer qualquer violação, seja na sua dignidade ou na sua saúde", pontuou Ana Valéria, reforçando a relevância de eventos acadêmicos e educativos para conscientizar a sociedade e as empresas.

Fotografia em plano aberto mostrando um painel ao centro com a imagem de uma pessoa acorrentada e o título "TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO". À esquerda, um homem de paletó azul discursa em um púlpito. Outras duas pessoas estão sentadas em poltronas no palco acompanhando a apresentação. Ao fundo, estão hasteadas as bandeiras oficiais.
Debate sobre trabalho escravo foi conduzido pelo juiz Vladimir Castro (em pé) e pela procuradora Nathália Pereira; ao centro, o juiz Adalberto Barreira, que atuou como presidente de mesa

Na sequência da programação, ocorreu o painel “Debate sobre trabalho escravo contemporâneo”, com a procuradora da República Nathália Mariel Ferreira de Souza Pereira e o juiz Vladimir Paes de Castro, gestor regional do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo do TRT-CE. As autoridades apresentaram dados atuais sobre a situação dessa problemática no campo jurídico, incluindo debates que ainda se encontram aguardando julgamento no Supremo Tribunal Federal. 

Vladimir Castro explicou o conceito e as diferentes configurações do trabalho escravo contemporâneo. Segundo o magistrado, o fenômeno abrange situações degradantes de exploração laboral que vão além do modelo histórico rural, estando presente também nos centros urbanos, como na construção civil e no trabalho doméstico.

"Essa denominação de 'contemporânea' é porque não se trata apenas daquele trabalho escravo da época anterior à abolição. São formas degradantes de exploração do trabalhador que infelizmente acontecem em todo o Brasil", esclareceu o juiz. O magistrado ressaltou que a atuação do comitê regional do TRT-CE foca na articulação interinstitucional para subsidiar e fortalecer a formulação de políticas públicas de combate a essas violações.

Para o gestor, além do fortalecimento dos direitos sociais e da empregabilidade, a principal política pública para combater o trabalho escravo deve ser a estruturação e aumento da fiscalização, por meio dos auditores fiscais do trabalho.

A programação do seminário prossegue nesta sexta-feira (16/10) com debates sobre o uso da geolocalização como meio de prova nos processos trabalhistas e o acesso à Justiça como direito fundamental do cidadão, consolidando a iniciativa como um espaço de formação e debate contínuo no interior cearense.

Mais informações no site do evento.