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Voto feminino: mulheres ampliam presença na política brasileira nas Eleições de 2026

As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro e têm expandido progressivamente sua representatividade na vida política do país. Nas Eleições de 2026, esse movimento alcançou um patamar histórico: a próxima legislatura do Congresso Nacional contará com a maior bancada feminina já registrada. Na Câmara dos Deputados, o número de parlamentares eleitas passou de 90 para 109, o que corresponde a um aumento de 21%. No Senado Federal, as mulheres conquistaram 12 das 54 vagas em disputa, alcançando a maior representação feminina na Casa desde a redemocratização — em comparação a 2018, momento do último pleito de renovação de dois terços, quando oito senadoras foram eleitas.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil soma cerca de 83,8 milhões de eleitoras em 2026, representando 52,84% do eleitorado nacional. Em 2022, esse contingente era de 82,3 milhões (52,55%). Ao todo, 158,7 milhões de cidadãos estão aptos a exercer o direito de voto no país. 

Uma conquista histórica

A conquista do voto feminino no Brasil foi resultado de décadas de mobilização social pela ampliação dos direitos políticos das mulheres. O movimento ganhou impulso no início do século XX, impulsionado pela atuação de diversas organizações e lideranças que defendiam a participação feminina na vida pública.

A luta pelo sufrágio feminino no Brasil teve um marco importante com a promulgação do Decreto n.º 3.029, em 9 de janeiro de 1881, sancionado pelo Imperador D. Pedro II, que promoveu significativas alterações no sistema eleitoral do país. A legislação permitia que cidadãos qualificados exercessem o direito ao voto.

Com base nessa norma, a dentista Isabel de Mattos Dillon obteve na Justiça, em 1886, o reconhecimento do seu direito de votar. Posteriormente, em 1890, alinhada aos ideais republicanos, alistou-se novamente e candidatou-se ao cargo de deputada constituinte. Embora tenha recebido votos, a quantidade foi insuficiente para garantir uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte. Isabel de Mattos Dillon consagrou-se, assim, como a primeira brasileira a conquistar e usufruir plenamente do direito de votar e ser votada. 

Em 1919, foi fundada a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher (LEIM), liderada por Bertha Lutz, Júlia Lopes de Almeida e Maria Lacerda de Moura, que depois se tornou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. A associação atuou pela ampliação dos direitos femininos, defendendo o mercado de trabalho, a educação e o sufrágio. Em 1922, organizou um congresso internacional no Rio de Janeiro para promover o voto feminino.

O Estado do Rio Grande do Norte foi pioneiro no voto feminino no Brasil. Com a Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de 1927, as mulheres potiguares conquistaram o direito de votar, tornando a professora  e juíza de futebol Celina Guimarães Viana e a educadora Júlia Alves Barbosa as primeiras eleitoras do país. A legislação também permitiu marcos na representatividade política: Júlia Alves Barbosa tornou-se a primeira vereadora, em Natal, e Luíza Alzira Teixeira Soriano foi eleita a primeira prefeita do Brasil e da América Latina, em Lajes (RN), com 60% dos votos.

Ao tomar posse em 1929, Alzira enfrentou todos os desafios de uma sociedade extremamente machista. Como prefeita priorizou obras de infraestrutura na cidade e a construção de escolas. Seu mandato foi interrompido pela Revolução de 1930, quando optou por renunciar ao opor-se ao governo de Getúlio Vargas. Com a democratização do Brasil, em 1945, ela retornou à vida pública, sendo eleita novamente vereadora de Lajes.

Código Eleitoral de 1932

A ascensão de Getúlio Vargas em 1930 trouxe grandes novidades para o Sistema Eleitoral Brasileiro. Uma das mais importantes ocorreu com a aprovação do Código Eleitoral (Decreto n.º 21.076), em 24 de fevereiro de 1932.

Esse Código estabeleceu normas para a padronização das eleições realizadas a partir de então. Determinou-se que o voto seria obrigatório e secreto, além de serem abolidas as restrições de gênero. Com isso, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil, fazendo do país o primeiro da América Latina a conceder essa garantia às mulheres.

Eleições de 2026 registram avanço

Nas eleições realizadas no dia 4 de outubro, 109 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados. O resultado representa um aumento de 21,1% em relação à atual legislatura, que dispõe de 90 deputadas, e marca a maior bancada feminina da história da Casa. Apesar do avanço, a composição majoritária permanecerá masculina, com 404 deputados (aproximadamente 79% do total).
No Senado Federal, registrou-se igualmente um recorde desde a redemocratização, com a eleição de 12 mulheres entre as 54 vagas em disputa. Com essa representação, a bancada feminina na Casa deverá se expandir de 15 para 18 senadoras a partir de 2027, considerando a composição prevista e o eventual exercício de suplentes. Embora seja um marco significativo, os dados mostram que as mulheres seguem como minoria no Legislativo. 

Participação ainda é um desafio

Apesar dos avanços registrados, os dados evidenciam que a paridade de representação política ainda é um desafio a ser superado. Segundo informações do Senado Federal, a participação feminina entre as candidaturas eleitas para a Câmara dos Deputados evoluiu de 7,4% em 1994 para 17,7% em 2022. Atualmente, a legislação eleitoral estabelece a cota mínima de 30% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais.

A presença das mulheres na política representa não apenas o exercício de um direito conquistado historicamente, mas também a ampliação da diversidade nos espaços de decisão. O fortalecimento da representatividade feminina consolida a democracia e garante a inclusão de diferentes perspectivas na formulação de políticas públicas.

Decorridos mais de 90 anos da conquista do voto feminino, as Eleições 2026 reiteram o contínuo avanço das mulheres na democracia brasileira, bem como a necessidade de expandir sua atuação nos espaços de poder e decisão.

O fortalecimento da presença feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal vai além do cumprimento de cotas partidárias; trata-se de uma urgência para consolidar uma democracia efetivamente representativa. Garantir que as mulheres ocupem posições de decisão é um passo fundamental para que pautas de igualdade de gênero, mercado de trabalho justo e direitos sociais avancem com real prioridade.

Iniciativas promovidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-CE), por meio do Subcomitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina e de Igualdade de Gênero (Sipifig), são dedicadas a incentivar a participação feminina institucional. Essas ações reforçam que a busca por equidade na Justiça Trabalhista cearense deve ser contínua e transversal, permitindo a construção de um futuro em que a representatividade não seja apenas uma meta, mas uma realidade consolidada.