Acessibilidade no trabalho: TRT-CE promove curso sobre inclusão de pessoas com deficiência
- Página atualizada em 30/09/2026
Na terça-feira (29/9), o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-CE), por meio de parceria entre a Escola Judicial (Ejud7) e a Divisão de Sustentabilidade, Acessibilidade e Inclusão, promoveu a capacitação “Atuação Biopsicossocial e Gestão de Pessoas: Inclusão de Pessoas com Deficiência no Trabalho”. O encontro aconteceu na sala de aula da Ejud7 e teve como proposta aprofundar o debate sobre o acolhimento e a eliminação de barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência no ambiente corporativo e no serviço público.
O evento foi ministrado por Luísa de Souza Leão Almeida, diretora de Acessibilidade, Inclusão e Sustentabilidade do TRT-8 (PA/AP). A apresentação articulou conceitos teóricos, diretrizes normativas e vivências práticas para orientar magistradas, servidores, servidoras, gestores e gestoras na construção de espaços mais acessíveis e equitativos.
Aspectos teóricos
Durante a capacitação, foram desmistificados diferentes conceitos que cercam o tema. Um dos pontos fundamentais abordados foi a superação da chamada concepção orgânica da deficiência, modelo tradicional que interpreta a limitação de forma individual e centrada apenas nas falhas do organismo, buscando padrões de "normalidade" ou cura.
Em contrapartida à visão puramente biológica, a palestrante destacou a concepção biopsicossocial, hoje amparada pela legislação. “Sob esse prisma, a deficiência é compreendida como o resultado da interação entre os impedimentos de longo prazo (físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais) e as diversas barreiras sociais que dificultam a participação plena e efetiva do indivíduo em igualdade de condições”, explicou Luísa.
Ela reforçou que, ao passo que o modelo orgânico isolava a responsabilidade na própria pessoa e cobrava adaptação individual, o modelo biopsicossocial descentraliza esse encargo e cobra responsabilidade compartilhada da instituição e de toda a sociedade para a remoção de obstáculos.
A capacitação trouxe ainda um importante alerta sobre o uso adequado de terminologia. Foi ressaltada a importância de evitar expressões estigmatizantes ou ultrapassadas, como "especial", "portador de deficiência", "surdo-mudo" ou "alejado", adotando-se terminologias corretas e respeitosas, como "pessoa com deficiência", "cego", "cadeirante", "surdo" e "autista".
Acessibilidade na prática
No campo da acessibilidade, o minicurso reforçou que ela vai além de adaptações físicas e arquitetônicas, abrangendo o uso com segurança e autonomia de espaços, serviços, tecnologias e informações. De forma especial, deu-se destaque à acessibilidade atitudinal, que busca eliminar barreiras comportamentais, preconceitos e discriminações presentes nas relações interpessoais cotidianas.
Outro ponto levantado durante a apresentação foi o fenômeno da "fadiga de acesso", definido como o desgaste mental e emocionalmente exaustivo vivenciado diariamente por pessoas com deficiência ao precisarem confrontar, explicar ou gerenciar constantemente as atitudes e percepções alheias sobre suas condições.
Combate ao capacitismo
Ao tratar sobre os desafios enfrentados no ambiente de trabalho, a palestrante enfatizou que o capacitismo permanece sendo o principal obstáculo a ser superado. Esse tipo de discriminação sustenta a falsa crença de que a pessoa com deficiência é incapaz de produzir, entregar resultados ou exercer funções de alta complexidade.
A especialista pontuou que a subestimação do potencial dessas pessoas gera exclusão contínua em diversas etapas, desde a contratação até a ascensão profissional. Mesmo quando ingressam no Judiciário ou em grandes corporações, muitas vezes elas são privadas de oportunidades de promoção, cargos de gestão e participação em decisões institucionais decisivas.
Ao final, o minicurso teve uma atividade prática, onde os participantes se subdividiram em pequenos grupos para fazerem estudos de caso e, posteriormente, apresentar para a turma propostas de soluções para situações hipotéticas envolvendo liderança inclusiva; participação de pessoas com deficiência em cargos de gestão; acessibilidade como dimensão estratégica e transversal; e fluxo de processo no acolhimento de novos servidores com deficiência.













