A Saga dos Jangadeiros: 2.700km de coragem por Direitos Trabalhistas
- Página atualizada em 14/09/2026
Há exatos 85 anos, no dia 14 de setembro de 1941, a jangada São Pedro partia da Praia do Mucuripe, em Fortaleza, dando início a um dos capítulos mais emblemáticos da busca por igualdade, dignidade e cidadania. Conhecida como a "Saga dos Jangadeiros", a histórica jornada de 2.700 quilômetros até o Rio de Janeiro, protagonizada pelos pescadores cearenses Manuel Olímpio Meira (o "Jacaré"), Jerônimo André de Souza, Raimundo Correia Lima ("Tatá") e Manuel Pereira da Silva ("Mané Preto") não foi apenas uma aventura náutica, mas um divisor de águas para o Direito do Trabalho no Brasil.
Como ideal, o grupo buscava mais do que melhorias salariais: reivindicava o próprio direito de ter direitos. Os jangadeiros cruzaram a costa brasileira com um objetivo claro: apresentar diretamente ao então presidente da República, Getúlio Vargas, as duras condições de trabalho da categoria e pleitear a extensão dos direitos trabalhistas e previdenciários aos homens do mar.
A Saga de 1941 remete a outro evento histórico fundamental do Estado do Ceará: a Greve dos Jangadeiros de 1881, liderada por Francisco José do Nascimento, conhecido como o Dragão do Mar. O movimento recusou o transporte de pessoas escravizadas no Porto de Fortaleza, antecipando em quatro anos a abolição da escravidão no território cearense.
O clamor das ondas repercutiu no âmbito da Presidência da República. Após audiência com o presidente Getúlio Vargas, as reivindicações da categoria resultaram na edição do Decreto-Lei nº 3.832, de 18 de novembro de 1941, o qual regularizou a atividade pesqueira e estendeu os benefícios previdenciários aos pescadores, mediante integração ao Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos (IAPM). O diploma legal estabeleceu que a remuneração base da categoria não seria inferior ao salário mínimo vigente e garantiu a prestação de assistência médica. Posteriormente, tal articulação contribuiu para o fortalecimento da Justiça do Trabalho e para a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.
O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, ao resgatar essa memória, reforça seu papel institucional na defesa dos trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade. A coragem dos jangadeiros de 1941 permanece viva em cada decisão que assegura o trabalho seguro, a previdência justa e o reconhecimento do valor social do trabalho.













