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A Saga dos Jangadeiros: 2.700km de coragem por Direitos Trabalhistas

Imagem institucional em tons de cinza mostra cinco jangadeiros de costas, empurrando uma jangada de madeira na areia da praia, sob céu nublado. Na parte superior, texto em branco e amarelo: "A LUTA DOS JANGADEIROS POR DIREITOS TRABALHISTAS", ao lado da data "14 DE SETEMBRO" e logo do TRT-7ª Região Ceará. Há ondas estilizadas em branco no centro.
As reivindicações da categoria resultaram na edição do Decreto-Lei 3.832/1941, o qual regularizou a atividade pesqueira e estendeu os benefícios previdenciários aos pescadores

Há exatos 85 anos, no dia 14 de setembro de 1941, a jangada São Pedro partia da Praia do Mucuripe, em Fortaleza, dando início a um dos capítulos mais emblemáticos da busca por igualdade, dignidade e cidadania. Conhecida como a "Saga dos Jangadeiros", a histórica jornada de 2.700 quilômetros até o Rio de Janeiro, protagonizada pelos pescadores cearenses Manuel Olímpio Meira (o "Jacaré"), Jerônimo André de Souza, Raimundo Correia Lima ("Tatá") e Manuel Pereira da Silva ("Mané Preto") não foi apenas uma aventura náutica, mas um divisor de águas para o Direito do Trabalho no Brasil. 

Como ideal, o grupo buscava mais do que melhorias salariais: reivindicava o próprio direito de ter direitos. Os jangadeiros cruzaram a costa brasileira com um objetivo claro: apresentar diretamente ao então presidente da República, Getúlio Vargas, as duras condições de trabalho da categoria e pleitear a extensão dos direitos trabalhistas e previdenciários aos homens do mar.

A Saga de 1941 remete a outro evento histórico fundamental do Estado do Ceará: a Greve dos Jangadeiros de 1881, liderada por Francisco José do Nascimento, conhecido como o Dragão do Mar. O movimento recusou o transporte de pessoas escravizadas no Porto de Fortaleza, antecipando em quatro anos a abolição da escravidão no território cearense.

O clamor das ondas repercutiu no âmbito da Presidência da República. Após audiência com o presidente Getúlio Vargas, as reivindicações da categoria resultaram na edição do Decreto-Lei nº 3.832, de 18 de novembro de 1941, o qual regularizou a atividade pesqueira e estendeu os benefícios previdenciários aos pescadores, mediante integração ao Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos (IAPM). O diploma legal estabeleceu que a remuneração base da categoria não seria inferior ao salário mínimo vigente e garantiu a prestação de assistência médica. Posteriormente, tal articulação contribuiu para o fortalecimento da Justiça do Trabalho e para a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.

O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, ao resgatar essa memória, reforça seu papel institucional na defesa dos trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade. A coragem dos jangadeiros de 1941 permanece viva em cada decisão que assegura o trabalho seguro, a previdência justa e o reconhecimento do valor social do trabalho.