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Escola Judicial do TRT-CE debate IA e precedentes em evento de capacitação

Duas mulheres: A primeira mulher, com longos cabelos castanhos e óculos de armação grossa, veste um blazer branco sobre um vestido listrado em preto e branco. Ela sorri para a câmera. A segunda mulher, com cabelos loiros e curtos, usa um blazer verde-água, uma blusa de renda branca e um colar de pérolas. Ela tem as mãos na cintura e sorri.
Palestrantes e advogadas Adriana Calvo e Rosa Maria Felipe

A Escola Judicial do TRT da 7ª Região (Ejud-7), sob a direção do desembargador Paulo Régis Machado Botelho, promoveu na manhã desta sexta-feira (26/6) a 4ª edição da Sexta Jurídica. Realizado de forma presencial no auditório do TRT-7, o evento reuniu magistrados, servidores, advogados, estudantes e o público externo para debater as céleres transformações trazidas pela Inteligência Artificial no sistema de justiça trabalhista e a influência de modelos estrangeiros nas decisões dos tribunais superiores.

Veja mais fotos aqui.

Um homem: Com óculos de armação fina, veste um terno azul-marinho, camisa branca e gravata bordô. Ele está de pé, atrás de um púlpito de acrílico transparente com o brasão do Brasil. Ele fala em um microfone que está preso ao púlpito.
Conselheiro da Ejud7 e desembargador Antônio Teófilo Filho

A abertura dos trabalhos foi realizada pelo conselheiro da Escola Judicial, o desembargador Antônio Teófilo Filho, que deu as boas-vindas ao público. “Em nome da Escola Judicial, eu agradeço às palestrantes pela participação. Sei que serão exposições esclarecedoras e de temas interessantíssimos", declarou o desembargador Teófilo, devolvendo a palavra ao Cerimonial.

Ela está de pé atrás de um púlpito de acrílico transparente com o brasão do Brasil, falando em um microfone. Ela veste o mesmo blazer verde-água, blusa de renda branca e colar de pérolas da Imagem 1.
Rosa Maria Felipe Araújo é advogada, professora do Curso de Direito da Facine e conselheira estadual da OAB/Ce,

Inteligência Artificial e os limites constitucionais

A primeira conferência do dia, intitulada "O mundo do trabalho em transformação: a IA nos processos trabalhistas e a resolução do CNJ 615 de 2025", foi ministrada pela advogada e professora Rosa Maria Felipe Araújo. Em sua abordagem, a palestrante fez questão de delimitar seu lugar de fala como jurista e educadora, recorrendo à doutrina da professora Larissa Matos e a artigos da Escola Nacional da Magistratura Trabalhista para propor uma reflexão científica sobre a aplicação prática da tecnologia, para além da mera operacionalização técnica dos sistemas de informática.

A professora fez sua explanação sobre a utilização da IA à luz da Resolução 615 do CNJ. Rosa Maria ressaltou que a presença tecnológica nos tribunais já é uma realidade consolidada, deslocando o foco do debate para o campo dos direitos fundamentais: "E o tema hoje que está inquietando e impactando o mundo, e não só o mundo do direito do trabalho é sobre o uso da IA. Hoje a pergunta não é mais se a inteligência artificial já chegou ou se a inteligência artificial pode ser utilizada nos processos. A pergunta é se a utilização da inteligência artificial atende os preceitos constitucionais."

mulher de cabelos castanhos da Imagem 1: Ela está em pé, segurando um microfone com a mão esquerda e gesticulando com a mão direita. Ela veste o mesmo blazer branco sobre o vestido listrado em preto e branco
Adriana Calvo é doutora, mestre e especialista em Direito do Trabalho (Direito das Relações Sociais) pela PUC/SP

A "Commonlização" e as Críticas ao Ativismo Judicial

Na sequência, a advogada e professora Adriana Calvo ministrou a palestra "Commonlização à brasileira: a influência da teoria dos precedentes estadunidenses nos tribunais superiores no Brasil". A especialista explicou como a advocacia e a magistratura contemporâneas foram moldadas para priorizar a pesquisa de precedentes em detrimento da análise isolada da lei escrita, pontuando que o pós-positivismo trouxe como efeito colateral o crescimento do ativismo judicial, cenário em que o julgador assume o papel de legislador.

A palestrante manifestou forte preocupação com a perda da previsibilidade jurídica no país e a necessidade de critérios uniformes:

"O problema disso é que cada juiz pode julgar de acordo com o seu livre convencimento e a gente não vai ter segurança. Eu não vou conseguir mais dizer para o meu cliente: 'Olha, se tiver essa ação trabalhista, o resultado esperado é este'. Perde-se a segurança, perde-se o que é primordial para o direito que é: casos iguais sendo julgados iguais. Então, o ativismo judicial é uma das grandes críticas ao pós-positivismo, porque pode criar o governo de juízes. Essa é a preocupação que nós temos atualmente no Brasil”, comentou.

"A tecnologia deve servir à justiça, e não a justiça servir à tecnologia. Uma Justiça do Trabalho digital só será legítima se permanecer ancorada na proteção dos direitos fundamentaiss e no Estado Democrático de Direito", finalizou Adriano Calvo.

Com carga horária de 3 horas-aula, o encontro consolidou o papel da Ejud-7 na vanguarda do aperfeiçoamento técnico e do pensamento crítico do ambiente jurídico cearense.