Polícia Judicial do TRT-CE recebe treinamento em Gerenciamento de Crises
- Página atualizada em 18/06/2026
A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (Ejud-7), em parceria com a Divisão de Polícia Judicial está promovendo o curso “Gerenciamento de Crises na Justiça do Trabalho”. Voltada especificamente para os agentes da Polícia Judicial do TRT-CE, a capacitação ocorre de forma presencial no auditório da Escola Judicial, dividida em três turmas entre os dias 16 e 18 de junho de 2026.
O principal objetivo do treinamento é apresentar a doutrina de gerenciamento de crises aplicada à rotina da Polícia Judicial em situações críticas e eventos extraordinários que fogem à normalidade. O foco está em garantir uma atuação segura, estratégica e rigorosamente alinhada aos princípios constitucionais e aos direitos humanos.
Com uma abordagem que une teoria e prática adaptadas à realidade da Justiça do Trabalho, a capacitação contempla conteúdos fundamentais para a segurança institucional. O programa aborda conceitos detalhados de crise e classificação de riscos, técnicas modernas de negociação e escuta ativa, além do uso diferenciado da força. Os agentes também recebem instruções sobre a estrutura do posto de comando, o gerenciamento de situações complexas envolvendo reféns ou suicidas, e o alinhamento de protocolos de atuação e redes de acionamento de emergência.
A formação é conduzida por Hélcio Nalon Alves, diretor da Secretaria de Segurança Institucional do TRT da 2ª Região (TRT-2). Durante o treinamento, o instrutor detalhou a essência e o propósito central da qualificação com base nos conceitos práticos da função. “O objetivo é mostrar para os agentes da Polícia Judicial o que é um evento crítico, como ele pode chegar até nós, e quais são os atores principais nesse contexto. E como ele pode agir na figura de primeiro interventor”, explicou Hélcio Nalon.
Ele ressaltou que, diante de uma crise nas unidades, os policiais precisam ter condições mínimas de atuação até a chegada de apoio especializado, buscando sempre uma solução aceitável e menos gravosa para todos. Para isso, o curso trabalha ferramentas que vão desde os fundamentos históricos até a técnica da escuta ativa, capacitando os agentes para lidar inclusive com casos de comportamento suicida e perturbações emocionais no ambiente de trabalho.
O diretor da Divisão de Polícia Judicial do TRT-CE, Luiz Joel de Melo, destacou a relevância do treinamento, apontando que o aumento generalizado de conflitos, ameaças e o visível adoecimento da população trazem reflexos diretos para o cotidiano das unidades judiciárias. Diante dessa realidade, o efetivo atual do Tribunal, composto por 78 agentes, foi distribuído estrategicamente em três turmas para garantir que todo o quadro da sede, do fórum e do interior recebesse a devida instrução.
Em seu depoimento, Luiz Joel destacou o caráter inédito da capacitação e a evolução da categoria: “Esta é a primeira vez que temos esse tema em um curso dedicado aos agentes. A formação marca o início de um novo papel na Justiça do Trabalho, que hoje conta com fardamento, equipamentos e uma quantidade ampliada de atribuições. Garantir a autonomia dos magistrados para decidir e prestar um bom atendimento ao público envolve uma atuação complexa. O papel da Polícia Judicial hoje é da acolhida e também da segurança para magistrados e servidores”, conclui o diretor.
O agente de polícia judicial João Augusto Colares Cruz, lotado na Seção de Transporte, destacou que a natureza da profissão exige prontidão imediata, já que uma situação crítica pode surgir a qualquer momento. Para ele, os conhecimentos teóricos e operacionais compartilhados são indispensáveis para qualificar a abordagem policial: “O que nós estamos aprendendo no curso até o momento vai nos ajudar a contornar situações de crise da melhor forma possível, seja no tom como a gente fala ou na forma que a gente aborda”, pontuou.
Também lotada na Seção de Transporte, a agente Nadia Sarmento Melo enfatizou a complexidade e a imprevisibilidade de gerenciar eventos críticos, lembrando a importância de seguir os novos protocolos operacionais e de atuar em cooperação com redes de apoio como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ou o Corpo de Bombeiros.
A servidora reforçou que manter o controle emocional é a chave para evitar desfechos desfavoráveis no ambiente institucional. “O que a gente tem que tentar ao máximo é ter calma e não tornar a situação pior do que ela já está, sempre tentando conduzir da forma mais educada. O objetivo final e maior é que a crise seja contornada da melhor maneira, sem que haja óbitos ou feridos”, concluiu uma das três representantes femininas da Polícia Judicial do TRT-CE.













