logotipo responsivo da Justiça do Trabalho
  • Selo Prata CNJ Ano 2023
  • Selo 100% PJe
  • Instagram
  • SoundCloud
  • Youtube
  • Facebook
  • Twitter

Ouvidorias e diretrizes do CNJ contra a violência doméstica ganham destaque no Coleouv

Um grande grupo de homens e mulheres posa reunido e sorridente para uma foto oficial sobre o palco do auditório. Vestindo trajes formais e casuais diversos, eles se alinham à frente de um grande telão que exibe uma imagem aérea litorânea. Na parte inferior, em primeiro plano, observam-se detalhes parciais de poltronas pretas destinadas à plateia do evento.
47º Encontro do Colégio de Ouvidores da Justiça do Trabalho é promovido pela Ouvidoria do TRT-CE

A atuação estratégica das Ouvidorias do Poder Judiciário na prevenção e no enfrentamento à violência doméstica foi um dos temas do 2º dia (11/6) do "47º Encontro do Colégio de Ouvidores da Justiça do Trabalho - Coleouv". Promovido pela Ouvidoria do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), no período de 10 a 12 de junho de 2026, em Fortaleza, o evento técnico-institucional de caráter nacional reúne dezenas de autoridades e especialistas.

Veja mais fotos aqui.

Tem o objetivo de promover o intercâmbio de experiências e a qualificação das Ouvidorias trabalhistas em todo o país. Idealizado pelo desembargador-ouvidor José Antônio Parente da Silva, o encontro consolidou o papel desses órgãos não apenas como receptores de demandas, mas como vetores ativos de transformação social, controle e aperfeiçoamento da prestação jurisdicional.

Mulher loira de óculos e blazer azul senta-se em uma poltrona vermelha no palco, segurando um microfone e um notebook no colo. Ao centro, um grande painel digital azulado exibe o título de sua apresentação focado nas diretrizes do CNJ contra a violência doméstica. O ambiente técnico inclui um tripé com câmera à esquerda, poltronas executivas pretas ao fundo e um arranjo floral na base do palco.
Magistrada Roberta Ferme, juíza auxiliar do CNJ

Diretrizes do CNJ e o fortalecimento das Ouvidorias da Mulher

O encerramento dos debates do 2º dia ficou a cargo da magistrada Roberta Ferme Sivolella, juíza auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), que ministrou a palestra: "O papel das Ouvidorias da Justiça na prevenção e combate à violência doméstica, conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça - CNJ".

Roberta Ferme afirmou que a grande virada de chave do Judiciário foi migrar de uma postura reativa, que lida estritamente com conflitos postos, para um momento antecedente baseado na prevenção e na aproximação com os cidadãos. A palestrante ressaltou que as Ouvidorias deixaram de ser órgãos meramente burocráticos de reclamações ou corregedores disciplinares para se tornarem portas de entrada cruciais de denúncias para o público externo e interno. 

Ela deu especial destaque à Ouvidoria da Mulher dentro desse papel de especialização e relevância estrutural, explicando que o órgão atua como um fator estratégico não apenas no recebimento, mas também no acompanhamento rigoroso dos casos para assegurar uma resolução efetiva, servindo inclusive de amparo para magistradas e servidoras que sofrem violência doméstica por meio de um protocolo específico do CNJ. 

Mulher de cabelos ondulados gesticula e discursa de perfil para a direita, segurando um microfone preto próximo ao rosto. Ela veste uma blusa escura sob um casaco artesanal de trama aberta bege, decorado com bordados coloridos em relevo. Ao fundo, um painel digital com luz alaranjada destaca trechos do texto institucional "Comitê PopRuaJud" e a marca da Prefeitura de Fortaleza.
Secretária executiva de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social Cynthia Studart

PopRuaJud e as interseccionalidades em Fortaleza

O encontro nacional também abriu espaço para o diagnóstico de outras vulnerabilidades sociais no Painel 2 - "A atuação do Comitê PopRuaJud no Município de Fortaleza e suas interseccionalidades". O debate promoveu um profundo cruzamento de dados institucionais, contando com as exposições da secretária executiva de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Cynthia Studart Albuquerque, e o do coordenador do Movimento Nacional da População de Rua em Fortaleza, Arlindo Ferreira.

Que Fortaleza desponta como a capital do Nordeste com o maior número de pessoas em situação de rua foi evidenciado pela secretária Cynthia Studart, com base nos indicadores de maio de 2026 do Cadastro Único e do Observatório Nacional. Diante de um cenário que contabiliza 12.072 famílias registradas, sendo 9.500 beneficiárias do Bolsa Família. A profunda contradição social do país restou demonstrada pela palestrante ao cruzar esse indicador de vulnerabilidade com o fato de a cidade possuir, simultaneamente, o maior produto interno bruto (PIB) da região.

Cynthia Studart apontou que conflitos familiares (58,7%) e a dependência de substâncias psicoativas (29,7%) são os principais fatores que levam as pessoas a residirem nas ruas. A secretária alertou para a grave falta de assistência do Estado aos cidadãos que recebem alvará de soltura, explicando que a natureza complexa do egresso do sistema prisional exige um trabalho prévio de qualificação e resgate de vínculos para evitar a desabrigação imediata. Ela concluiu destacando que a perda de trabalho e disputas territoriais e expulsões de moradias agravam esse panorama complexo que o comitê precisa enfrentar.

Homem de pele morena e cabelos curtos posa de pé com os braços para trás à frente de um painel digital iluminado. Ele traja uma camiseta branca com uma estampa circular central que traz o mapa do Brasil e a inscrição "Movimento População de Rua". A imagem está enquadrada em plano médio, exibindo parte do texto do evento ao fundo e uma bolsa bege sobre uma bancada lateral.
Coordenador do Movimento Nacional da População de Rua em Fortaleza, Arlindo Ferreira

Na sequência, Arlindo Ferreira enalteceu os benefícios promovidos pela Resolução nº 425 do CNJ, ressaltando que a política judiciária finalmente estendeu a mão para a população de rua. O coordenador desmitificou o estigma da inatividade desse público, apontando que a maioria vive na informalidade e no subemprego, desprovida de amparo contra acidentes de trabalho. Ferreira criticou o modelo de aluguel social isolado, defendendo que a autonomia financeira e a qualificação profissional são fundamentais para que o ciclo de vulnerabilidade seja rompido.

Habitação social 

A programação técnica vespertina contou ainda com a palestra "Ampliação do Minha Casa, Minha Vida, voltado à população em situação de rua com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR)". O painel foi conduzido pelo representante da Caixa Econômica Federal, Kercio Diego Arruda Silva de Oliveira (superintendente executivo de habitação em exercício).

O atendimento prioritário à população em situação de rua, legalmente resguardado pela Lei nº 14.620/2023 do programa Minha Casa, Minha Vida, foi explicitado pelo palestrante. O gestor detalhou que, por força de uma portaria conjunta dos Ministérios das Cidades, de Desenvolvimento Social e dos Direitos Humanos lançada em 2025, os municípios com mais de mil indivíduos desabrigados inscritos no Cadastro Único são obrigados a reservar um percentual mínimo de 3% das unidades habitacionais para esse público-alvo específico. Kercio mencionou, ainda, que o Município de Fortaleza determinou 5% de destinação dos imóveis para as pessoas em situação de rua.

Programação sexta-feira

Manhã: A abertura do último dia terá a apresentação cultural do Grupo de Violoncelos da UFC. Em seguida, Socorro França (Secretária de Direitos Humanos do Ceará) palestra sobre a participação social nas Ouvidorias, e a Juíza Izabela Ramos Pinto (TST) detalha a inclusão da Justiça do Trabalho no Plano Nacional Pena Justa. O encontro será encerrado com a apresentação de uma boa prática: a 4ª edição do Manual Básico de Atendimento a Pessoas em Situação de Rua, exposta por Jorge Fernandes (Gestor da Ouvidoria do TRT1).

Serviço

  • Evento: 47º Encontro do Colégio de Ouvidores da Justiça do Trabalho (Coleouv)

  • Período: 10 a 12 de junho

  • Público-alvo: Ouvidores, magistrados, servidores, gestores públicos e especialistas vinculados ao sistema de justiça e à administração pública

  • Horário: 9h às 12h / 14h às 18h

  • Modalidade: presencial

  • Local: sede do TRT-CE (Rua Vicente Leite, 1.281, Anexo II, 4º Andar, Aldeota, Fortaleza/CE).