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Conheça a Revolta de Stonewall, marco que originou o movimento atual pelos direitos LGBTQIA+

A imagem mostra Marsha P. Johnson sorrindo amplamente com batom vermelho marcante e maquiagem vibrante. Ela usa uma exuberante coroa de flores coloridas na cabeça, misturando tons de vermelho, amarelo, roxo e branco. Seu figurino inclui uma roupa rosa de ombro caído, adornada com colares dourados e brilhantes no pescoço. Ela está sentada à mesa em um ambiente interno, segurando um copo transparente em primeiro plano.  Ao fundo, há uma estante branca com louças e objetos decorativos.
Marsha P. Johnson, ativista transgênero

Na década de 1960, batidas policiais em bares gays na região de Manhattan, na cidade de Nova York (Estados Unidos), eram rotina. Agentes invadiam os locais, ameaçavam e espancavam funcionários e clientes dos bares, arrastando-os para fora e os colocando em fila para que a polícia pudesse prendê-los. Porém, nas primeiras horas da manhã do dia 28 de junho de 1969, a história foi diferente.

Naquele dia, durante uma operação policial no bar Stonewall Inn, na Christopher Street, clientes e curiosos reagiram. A consequência foi um motim que durou dias e resultou em uma rebelião conhecida hoje como a “Revolta de Stonewall”, um marco que originou o movimento atual pelos direitos civis LGBTQIA+. 

Após a revolta, cansados da repressão, participantes do ato e moradores de Greenwich Village, na época a região mais frequentada pelos gays em Nova York, uniram-se com aqueles que já protestavam contra a discriminação de identidade de gênero e orientação sexual. O movimento logo se espalhou por outras cidades dos Estados Unidos. 

Um ano depois, em 1970, ativistas liderados por Craig Rodwell comemoraram a data com um evento que apelidaram de “Dia da Libertação da Christopher Street”, que atualmente é reconhecido como a primeira marcha do orgulho. Desde então, o mês de junho tem sido palco de manifestações e celebrações de orgulho pela diversidade sexual e de gênero. Em razão  disso, em 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

Apesar da ampla participação de pessoas negras e transgêneros no movimento - diferentemente de outros lugares que também recebiam o público LGBTQIA+ na cidade, o Stonewall Inn era marjoritariamente frequentado por jovens da periferia, sem-teto e drag queens - e esse reconhecimento só aconteceu nos últimos anos. 

Entre nomes relevantes para a Revolta de Stonewall, estão Marsha P. Johnson (1945-1992), uma ativista transgênero negra que frequentava o bar e é considerada uma das líderes do motim. Johnson é apontada como a primeira a “jogar tijolo” na polícia, apesar de já ter afirmado que chegou ao bar quando a confusão já estava montada.

Independentemente de quem iniciou a revolta, o tiro da polícia nova-iorquina saiu pela culatra. Em meio à violência, os agentes recuaram para dentro do bar e se protegeram com barricadas. Os manifestantes, então, derrubaram as barricadas, trocaram golpes com a polícia e atearam fogo no bar. Os policiais levaram horas para esvaziar as ruas que, na noite seguinte, foram tomadas novamente por milhares de pessoas. E assim seguiram pelos dias seguintes. 

‘Pequeno Stonewall Inn’ brasileiro

O movimento lésbico no Brasil tem um de seus marcos mais importantes conectado à memória de Stonewall. O episódio, que ganhou o título de "o pequeno Stonewall brasileiro", ocorreu em 19 de agosto de 1983, no Ferro’s Bar, um conhecido reduto da comunidade lésbica no centro de São Paulo. 

O estopim do protesto aconteceu na noite anterior, quando o proprietário do bar chamou a polícia para barrar a venda da publicação ativista ChanacomChana, sob o pretexto de "defesa dos bons costumes". Em reação, no dia seguinte, ativistas e frequentadoras tomaram o espaço para realizar a leitura de um manifesto político. A importância desse ato de resistência foi consolidada em 2003, quando o dia 19 de agosto passou a ser celebrado como o Dia do Orgulho Lésbico no Brasil.