Conheça a Revolta de Stonewall, marco que originou o movimento atual pelos direitos LGBTQIA+
- Página atualizada em 10/06/2026
Na década de 1960, batidas policiais em bares gays na região de Manhattan, na cidade de Nova York (Estados Unidos), eram rotina. Agentes invadiam os locais, ameaçavam e espancavam funcionários e clientes dos bares, arrastando-os para fora e os colocando em fila para que a polícia pudesse prendê-los. Porém, nas primeiras horas da manhã do dia 28 de junho de 1969, a história foi diferente.
Naquele dia, durante uma operação policial no bar Stonewall Inn, na Christopher Street, clientes e curiosos reagiram. A consequência foi um motim que durou dias e resultou em uma rebelião conhecida hoje como a “Revolta de Stonewall”, um marco que originou o movimento atual pelos direitos civis LGBTQIA+.
Após a revolta, cansados da repressão, participantes do ato e moradores de Greenwich Village, na época a região mais frequentada pelos gays em Nova York, uniram-se com aqueles que já protestavam contra a discriminação de identidade de gênero e orientação sexual. O movimento logo se espalhou por outras cidades dos Estados Unidos.
Um ano depois, em 1970, ativistas liderados por Craig Rodwell comemoraram a data com um evento que apelidaram de “Dia da Libertação da Christopher Street”, que atualmente é reconhecido como a primeira marcha do orgulho. Desde então, o mês de junho tem sido palco de manifestações e celebrações de orgulho pela diversidade sexual e de gênero. Em razão disso, em 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.
Apesar da ampla participação de pessoas negras e transgêneros no movimento - diferentemente de outros lugares que também recebiam o público LGBTQIA+ na cidade, o Stonewall Inn era marjoritariamente frequentado por jovens da periferia, sem-teto e drag queens - e esse reconhecimento só aconteceu nos últimos anos.
Entre nomes relevantes para a Revolta de Stonewall, estão Marsha P. Johnson (1945-1992), uma ativista transgênero negra que frequentava o bar e é considerada uma das líderes do motim. Johnson é apontada como a primeira a “jogar tijolo” na polícia, apesar de já ter afirmado que chegou ao bar quando a confusão já estava montada.
Independentemente de quem iniciou a revolta, o tiro da polícia nova-iorquina saiu pela culatra. Em meio à violência, os agentes recuaram para dentro do bar e se protegeram com barricadas. Os manifestantes, então, derrubaram as barricadas, trocaram golpes com a polícia e atearam fogo no bar. Os policiais levaram horas para esvaziar as ruas que, na noite seguinte, foram tomadas novamente por milhares de pessoas. E assim seguiram pelos dias seguintes.
‘Pequeno Stonewall Inn’ brasileiro
O movimento lésbico no Brasil tem um de seus marcos mais importantes conectado à memória de Stonewall. O episódio, que ganhou o título de "o pequeno Stonewall brasileiro", ocorreu em 19 de agosto de 1983, no Ferro’s Bar, um conhecido reduto da comunidade lésbica no centro de São Paulo.
O estopim do protesto aconteceu na noite anterior, quando o proprietário do bar chamou a polícia para barrar a venda da publicação ativista ChanacomChana, sob o pretexto de "defesa dos bons costumes". Em reação, no dia seguinte, ativistas e frequentadoras tomaram o espaço para realizar a leitura de um manifesto político. A importância desse ato de resistência foi consolidada em 2003, quando o dia 19 de agosto passou a ser celebrado como o Dia do Orgulho Lésbico no Brasil.













