Inovação na reciclagem de garrafas pet pode aumentar cerca de 100 vezes a renda de catadores
- Página atualizada em 01/06/2026
Atualmente, a Associação de Catadores do Jangurussu (Ascajan), em Fortaleza, consegue vender o quilo da garrafa pet coletada por apenas 60 centavos de real. Por meio de uma máquina desenvolvida pelo projeto da RAITec, da Universidade Federal do Ceará (UFC), esse mesmo material pode ser utilizado em um processo que o transforma em filamentos para uso em impressoras 3D. O quilo desse fio processado é vendido no mercado a partir de R$ 50, o que elevaria o faturamento da comunidade em cerca de 100 vezes, em relação à reciclagem desse plástico. Esse projeto de extensão universitária foi o tema da oficina “Economia Circular: Reaproveitamento de Resíduos Recicláveis”, na abertura da Semana do Meio Ambiente do TRT-CE, ocorrida nesta segunda-feira (1º/6).
A palestra, promovida pela Comissão Permanente de Gestão Ambiental e pela Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável, em parceria com a Escola Judicial, foi realizada de modo telepresencial. Na plateia, servidores e estagiários da Justiça do Trabalho puderam conhecer a ação inovadora, que foi apresentada pelo estudante de Engenharia Lucas de Oliveira Sobral, membro do projeto Robótica, Automação, Inteligência Artificial e Tecnologias (RAITec), da UFC.
Economia Circular
O palestrante iniciou o debate explicando o conceito de economia circular, em comparação com o modelo linear. Ele ressaltou que o modelo linear, baseado em extrair, produzir e descartar, é insustentável e gera escassez de matéria-prima e acúmulo de lixo.
Em contrapartida, a economia circular propõe um ciclo focado em reutilizar, restaurar e renovar os materiais antes do descarte final. Como exemplo dessa aplicação, foi apresentado o projeto de uma máquina de filamento reciclável desenvolvida pelo grupo, que reaproveita garrafas do tipo pet, conectando a inovação tecnológica ao impacto social.
Como funciona
A tecnologia desenvolvida pela equipe da UFC transforma garrafas pet em filamento para impressoras 3D, um mercado em franca ascensão. O processo técnico consiste na limpeza das garrafas, corte em filetes por meio de uma filetadora e aquecimento a cerca de 200 graus em uma extrusora automatizada, resultando no fio plástico que serve de matéria-prima. Para demonstrar a viabilidade da máquina, o palestrante exibiu um protótipo de miniatura de barco impresso inteiramente com o filamento reciclado.
Ação social
Durante a apresentação, Lucas explicou que a RAITec tem como principal objetivo levar o conhecimento gerado na Universidade para fora de seus muros, promovendo inclusão tecnológica e transformando a realidade de comunidades em situação de vulnerabilidade social. Por isso decidiram fazer a doação da máquina à Ascajan, que enfrenta extrema fragilidade econômica e estrutural.
Atualmente, os cerca de 35 catadores locais vendem o quilo da garrafa pet por apenas 60 centavos de real, gerando uma renda quinzenal de 150 reais por pessoa. Com a doação da máquina de filamento, o material processado poderá ser vendido a laboratórios e empresas de impressão 3D por valores que variam a partir de R$ 50,00 o quilo.
Além do fornecimento do maquinário, os estudantes da UFC realizarão ações de alfabetização digital com as catadoras da Ascajan. A equipe do projeto ministrará aulas de informática básica, gerenciamento de redes sociais para marketing e implementação de sistemas de vendas e precificação, garantindo autonomia comercial e inclusão digital.
Uma nova visita à comunidade está agendada para a próxima sexta-feira (5/6), oportunidade em que o primeiro protótipo será apresentado e um documentário começará a ser gravado para registrar a história da Associação.
O encerramento do debate contou com intervenções de servidores do TRT-CE e da professora da UFC Michela Mulas, que enalteceram o engajamento humanitário dos estudantes de engenharia.
Para Deven Miller, membro das Comissões idealizadoras da oficina, conhecer melhor o projeto foi inspirador. “O que vocês criaram não é só engenharia de ponta; é a resposta real para um dos maiores problemas do nosso planeta. Transformar o plástico, que hoje polui os oceanos e ameaça a nossa saúde, em tecnologia, inovação e, acima de tudo, em renda e dignidade para os catadores, é o verdadeiro significado de Economia Circular e de impacto social”, declarou a servidora.
Campanha solidária
Em apoio à causa, o TRT-CE, por meio da Divisão de Sustentabilidade, Acessibilidade e Inclusão, também destacou a campanha institucional "Fio Inovador de Esperança", que mantém postos de coleta nos prédios anexos e no Fórum Autran Nunes para arrecadar garrafas pet lisas, que serão destinadas à Ascajan para impulsionar o início da produção dos filamentos recicláveis.
Os pontos de coleta estão disponíveis nas portarias dos Anexos I e II (sede do TRT-CE, Aldeota) e nos prédios Dom Hélder Câmara e Des. Manoel Arízio (Fórum Autran Nunes, Centro).
Semana do Meio Ambiente
A Semana do Meio Ambiente do TRT-CE foi lançada com uma campanha no Instagram, que apresentará as boas práticas da Justiça do Trabalho do Ceará nessa temática, em cinco vídeos, que serão publicados durante o decorrer da semana.
A programação especial segue nesta terça-feira e quarta-feira com palestra, roda de conversa literária e doação de mudas de plantas. Clique aqui para mais informações.













