Projeto ‘Nossa CearenCidade’ resgata o legado de Jovita Feitosa e Bárbara de Alencar
- Página atualizada em 26/05/2026
Os Jardins do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE) foram palco, na última sexta-feira (22/5), de um mergulho na história e no patrimônio cultural da capital cearense. A segunda edição do projeto “Nossa CearenCidade: Personalidades & Logradouros” reuniu magistrados, servidores, estudantes e o público externo para uma reflexão sobre as transformações urbanas de Fortaleza, com enfoque especial nas trajetórias de Jovita Feitosa e Bárbara de Alencar.
O evento presencial foi fruto de uma correalização entre a Escola Judicial (Ejud-7), sob a direção do desembargador Paulo Régis Machado Botelho, que esteve presente prestigiando a atividade e a Divisão de Gestão de Memória da instituição, coordenada pela servidora Cláudia Giovana Lopes Silva.
A atividade buscou compreender como a memória coletiva e as disputas sociais se materializam na denominação das ruas e avenidas contemporâneas. A exposição foi conduzida pelo professor Sandoval Matoso, historiador, mestre em Ensino de História e pesquisador renomado na difusão do patrimônio cearense, que guiou os presentes em um painel sobre rupturas, continuidades históricas e a consolidação dessas duas figuras femininas como legítimas heroínas da pátria.
A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, desembargadora Fernanda Uchôa, pontuou que o projeto capitaneado pelo Tribunal e pela Escola Judicial visa conferir maior visibilidade e alcance público a nomes históricos que batizam e ilustram as vias da capital, sendo uma ação direcionada tanto para a comunidade jurídica quanto para a sociedade geral. A magistrada detalhou a importância das duas biografias femininas escolhidas para esta edição:
“Desta vez, nessa edição, estão sendo trazidos os nomes de duas mulheres importantes para a nossa sociedade, para o nosso estado e para o Brasil: Bárbara de Alencar e Jovita Feitosa, que engrandecem o nome do nosso estado e que aqui terão sua biografia e seus nomes serão lembrados no dia de hoje.”
A juíza do trabalho Rossana Talia Modesto, conselheira da Escola Judicial do TRT-CE, explicou em seu depoimento que a iniciativa nasceu de um esforço conjunto da Ejud-7 e da Divisão de Gestão de Memória para trazer à tona a relevância histórica dos logradouros fortalezenses a partir dos nomes que eles receberam. Destacando o papel de Jovita e Bárbara como símbolos nacionais, a conselheira salientou:
“É muito importante tratarmos disso, sobretudo focarmos nessas personalidades femininas nesse mês de maio, diante de toda essa luta necessária de sobrelevar os nomes femininos e as posições de poder também para as mulheres.”
O expositor da noite, professor Sandoval Matoso, fundamentou sua fala no conceito de que as ruas e seus nomes funcionam como um espelho das heranças e permanências que a sociedade escolhe perpetuar, gerando reflexões sobre quem deve ser homenageado nos espaços cotidianos. O historiador também comentou um levantamento jornalístico recente que aponta a severa disparidade de gênero na toponímia de Fortaleza, onde pouco mais de 10% das ruas levam nomes de mulheres:
“Isso mostra muito dessas mulheres que têm a sua importância histórica, mas muitas vezes são invisibilizadas, são apagadas, são silenciadas. E trazer esse resgate é crucial para compreendermos e seguirmos firmes nessa construção.”
Presente na ocasião, a arquiteta Bia Sales destacou o forte simbolismo de uma palestra voltada à história das mulheres e celebrou a oportunidade de interagir com o patrimônio da Casa Branca, ressaltando a importância de transmitir esse legado cultural para as novas gerações. Ao compartilhar suas reflexões sobre as vias de Fortaleza, ela observou a riqueza de conectar os fatos históricos à própria rotina de quem percorre a capital diariamente:
“Particularmente, eu não sabia que existiam só duas ruas em Fortaleza com nome de mulheres. Jovita Feitosa é uma avenida que percorreu muito da minha história, né? Quando eu ia para a faculdade, todo dia eu passava por essa rua (...). E fazer essas conexões é muito legal, né? Saber um pouco mais da nossa história e fazer as conexões com a própria vida da gente percorrendo Fortaleza. Então é... é muito legal. Eu espero que isso se amplie.”
Ao final da apresentação cultural e histórica, o público foi brindado com uma apresentação musical realizada pelo servidor Rafael Pordeus. A performance encerrou o encontro em clima de celebração nos Jardins da Casa Branca, consolidando a 2ª edição do projeto “Nossa CearenCidade” como uma iniciativa marcante que uniu o Direito, a História, a arte e o sentimento de pertencimento urbano em Fortaleza.













