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Projeto ‘Nossa CearenCidade’ resgata o legado de Jovita Feitosa e Bárbara de Alencar

Fotografia noturna em plano aberto mostra um evento ao ar livre nos jardins iluminados do Tribunal Regional do Trabalho, um prédio neoclássico de fachada verde-clara com colunas brancas. À frente da edificação, convidados sentados em mesas redondas assistem a um homem que fala ao microfone próximo a palmeiras e árvores altas. O público, majoritariamente de costas e de perfil, acompanha a apresentação sob um céu de tom azul-escuro.
O encontro reuniu magistrados, servidores, estudantes e o público externo

Os Jardins do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE) foram palco, na última sexta-feira (22/5), de um mergulho na história e no patrimônio cultural da capital cearense. A segunda edição do projeto “Nossa CearenCidade: Personalidades & Logradouros” reuniu magistrados, servidores, estudantes e o público externo para uma reflexão sobre as transformações urbanas de Fortaleza, com enfoque especial nas trajetórias de Jovita Feitosa e Bárbara de Alencar. 

Veja mais fotos.

Fotografia em plano médio mostra um homem de pele clara, cabelos e barba castanhos curtos, falando ao microfone em um evento noturno. Ele veste camisa de botão preta e calça cáqui, sorri e gesticula com a mão direita aberta enquanto faz sua apresentação. Ao fundo, destacam-se arbustos verdes, colunas brancas e a fachada de um prédio histórico iluminada com luz verde.
Sandoval Matoso é historiador do quadro "Tem História em Todo Canto", do Programa Inspira e Ação – Terra de Sabidos/SVM

O evento presencial foi fruto de uma correalização entre a Escola Judicial (Ejud-7), sob a direção do desembargador Paulo Régis Machado Botelho, que esteve presente prestigiando a atividade e a Divisão de Gestão de Memória da instituição, coordenada pela servidora Cláudia Giovana Lopes Silva.

A atividade buscou compreender como a memória coletiva e as disputas sociais se materializam na denominação das ruas e avenidas contemporâneas. A exposição foi conduzida pelo professor Sandoval Matoso, historiador, mestre em Ensino de História e pesquisador renomado na difusão do patrimônio cearense, que guiou os presentes em um painel sobre rupturas, continuidades históricas e a consolidação dessas duas figuras femininas como legítimas heroínas da pátria.

Fotografia em plano médio mostra uma mulher de pele clara e cabelos castanhos na altura dos ombros falando ao microfone. Ela veste um blazer azul-claro sobre uma blusa estampada, tem a mão esquerda apoiada sobre papéis em uma mesa alta e direciona o olhar para a direita. Ao fundo, arbustos verdes e uma estrutura arquitetônica iluminada completam o cenário noturno.
A presidente Fernanda Uchôa reforçou a importância das duas biografias femininas escolhidas para a edição

A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, desembargadora Fernanda Uchôa, pontuou que o projeto capitaneado pelo Tribunal e pela Escola Judicial visa conferir maior visibilidade e alcance público a nomes históricos que batizam e ilustram as vias da capital, sendo uma ação direcionada tanto para a comunidade jurídica quanto para a sociedade geral. A magistrada detalhou a importância das duas biografias femininas escolhidas para esta edição:

“Desta vez, nessa edição, estão sendo trazidos os nomes de duas mulheres importantes para a nossa sociedade, para o nosso estado e para o Brasil: Bárbara de Alencar e Jovita Feitosa, que engrandecem o nome do nosso estado e que aqui terão sua biografia e seus nomes serão lembrados no dia de hoje.”

Fotografia em plano médio mostra uma mulher de pele clara e cabelos castanhos longos concedendo uma entrevista ao ar livre. Ela veste um top tomara que caia texturizado na cor branca, usa brincos dourados e gesticula com as mãos enquanto fala em direção ao microfone. À direita, em primeiro plano e de costas, um repórter de camisa azul segura o microfone com uma canopla de logotipo colorido.
A juíza do trabalho Rossana Talia Modesto é titular da 1ª Vara do Trabalho de Maracanaú

A juíza do trabalho Rossana Talia Modesto, conselheira da Escola Judicial do TRT-CE, explicou em seu depoimento que a iniciativa nasceu de um esforço conjunto da Ejud-7 e da Divisão de Gestão de Memória para trazer à tona a relevância histórica dos logradouros fortalezenses a partir dos nomes que eles receberam. Destacando o papel de Jovita e Bárbara como símbolos nacionais, a conselheira salientou:

“É muito importante tratarmos disso, sobretudo focarmos nessas personalidades femininas nesse mês de maio, diante de toda essa luta necessária de sobrelevar os nomes femininos e as posições de poder também para as mulheres.”

Fotografia em plano aberto mostra um grupo de pessoas sentadas ao redor de mesas redondas com toalhas brancas e arranjos de flores, dispostas sobre o gramado de um jardim. Os convidados estão voltados para a esquerda, prestando atenção ao evento, e sobre as mesas há pequenas placas sinalizadoras com a palavra "Reservado". Ao fundo, árvores frondosas, postes de iluminação e prédios urbanos compõem o cenário ao anoitecer.
Magistrados, servidores e convidados prestigiaram a 2ª edição da CearenCidade

O expositor da noite, professor Sandoval Matoso, fundamentou sua fala no conceito de que as ruas e seus nomes funcionam como um espelho das heranças e permanências que a sociedade escolhe perpetuar, gerando reflexões sobre quem deve ser homenageado nos espaços cotidianos. O historiador também comentou um levantamento jornalístico recente que aponta a severa disparidade de gênero na toponímia de Fortaleza, onde pouco mais de 10% das ruas levam nomes de mulheres:

“Isso mostra muito dessas mulheres que têm a sua importância histórica, mas muitas vezes são invisibilizadas, são apagadas, são silenciadas. E trazer esse resgate é crucial para compreendermos e seguirmos firmes nessa construção.”

otografia em plano aberto mostra um grupo de mulheres de diferentes idades sentadas ao redor de uma mesa redonda em um evento noturno ao ar livre. Elas estão posicionadas em um jardim gramado, com folhagens verdes e uma grade de ferro ao fundo, e direcionam a atenção para o lado esquerdo. Em primeiro plano, destacam-se três jovens de cabelos escuros vestindo blusas de alças em tons escuros.
Isabel Sales (blusa amarela) trouxe a filha para assistir à apresentação

Presente na ocasião, a arquiteta Bia Sales destacou o forte simbolismo de uma palestra voltada à história das mulheres e celebrou a oportunidade de interagir com o patrimônio da Casa Branca, ressaltando a importância de transmitir esse legado cultural para as novas gerações. Ao compartilhar suas reflexões sobre as vias de Fortaleza, ela observou a riqueza de conectar os fatos históricos à própria rotina de quem percorre a capital diariamente:

“Particularmente, eu não sabia que existiam só duas ruas em Fortaleza com nome de mulheres. Jovita Feitosa é uma avenida que percorreu muito da minha história, né? Quando eu ia para a faculdade, todo dia eu passava por essa rua (...). E fazer essas conexões é muito legal, né? Saber um pouco mais da nossa história e fazer as conexões com a própria vida da gente percorrendo Fortaleza. Então é... é muito legal. Eu espero que isso se amplie.”

Fotografia em plano médio mostra sete mulheres sorridentes posando enfileiradas lado a lado em um piso de blocos intertravados. Elas usam trajes sociais em tons de marrom, vermelho, preto e branco, destacando-se uma delas à direita de terno totalmente branco. Ao fundo, vê-se a entrada de um prédio histórico de fachada clara, com uma imponente porta de ferro trabalhado aberta e uma escadaria interna ao fundo.
Servidoras da Justiça do Trabalho compareceram ao evento que homenageou Jovita Feitosa e Bárbara de Alencar

Ao final da apresentação cultural e histórica, o público foi brindado com uma apresentação musical realizada pelo servidor Rafael Pordeus. A performance encerrou o encontro em clima de celebração nos Jardins da Casa Branca, consolidando a 2ª edição do projeto “Nossa CearenCidade” como uma iniciativa marcante que uniu o Direito, a História, a arte e o sentimento de pertencimento urbano em Fortaleza.