Ministra do TST Liana Chaib destaca desafios do combate ao trabalho escravo
- Página atualizada em 24/04/2026
O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), por meio de sua Escola Judicial (Ejud-7), realizou nesta sexta-feira (24/4), a 3ª edição da Sexta Jurídica. O evento reuniu magistrados, servidores, estudantes, advogados e convidados para debater o "Combate ao Trabalho Análogo ao Escravo na Justiça do Trabalho". A palestra magna foi ministrada pela ministra do TST, Liana Chaib, coordenadora do programa nacional sobre o tema, inaugurando a participação de membros da Corte Superior neste projeto da Escola.
Vozes do evento - Ministra do TST
A ministra Liana Chaib destacou que o trabalho escravo permanece enraizado na sociedade global como um crime vil e desumano que fere a dignidade de toda a humanidade. Ela explicou que, diferentemente do passado, o grande desafio contemporâneo é a sutileza das novas formas de exploração, nas quais as vítimas muitas vezes perdem a noção de que estão sendo subjugadas por seus algozes em ambientes invisíveis.
"Ninguém amarra mais. Não precisa. Amarra a mente. Você não precisa amarrar fisicamente, você precisa subjugar, você precisa arrancar a consciência, você precisa arrancar a alma, você precisa arrancar o sentimento de ser humano. É isso que a escravidão faz. Por que não é mais amarrar? Porque amarrar é muito escancarado, hoje não dá. Mas a sutileza, essa nós não percebemos, concluiu a ministra."
Escola Judicial do TRT-CE
O diretor da Ejud-7 enfatizou que a presença de membros do Tribunal Superior do Trabalho em solo cearense é fundamental para o fortalecimento institucional e para o sucesso do projeto de interiorização da Escola Judicial. Segundo o magistrado, incluir ministros na programação permite que a comunidade acadêmica e jurídica local tenha um contato direto com a cúpula do Judiciário, despertando nos estudantes o interesse genuíno pelo Direito do Trabalho.
"É importante que tenhamos ministros e ministras no nosso tribunal, isso é muito bom para a nossa instituição, inclusive na nossa programação da Ejud e sua interiorização. Na iniciativa da programação a gente sempre coloca um membro representando a instituição para que as pessoas se deparem com o TST. O objetivo desse programa é justamente o fortalecimento da nossa instituição e do Direito de Trabalho, despertando nos alunos esse gosto pelo direito laboral."
Presidência e vice-presidência do TRT-CE
A presidente do TRT-CE, desembargadora Fernanda Uchôa, relembrou a trajetória histórica de três décadas de luta para que a Justiça do Trabalho reconhecesse sua competência no julgamento de casos de exploração humana. Ela pontuou que, no início, as ações enfrentavam grandes resistências jurídicas e institucionais, mas que o cenário atual demonstra o amadurecimento do Judiciário ao assumir o protagonismo na erradicação do trabalho degradante e infantil em parceria com o Ministério Público.
"Eu me lembro da luta que foi para o Ministério Público do Trabalho começar a fazer essa apuração. Hoje vejo que estamos no auge dessa atuação, com o Tribunal assumindo plenamente a atribuição de apurar o trabalho análogo à escravidão. É um prazer ver que tudo isso que aconteceu, apesar de forma bem lenta, mas que a ajuda tem sido grande de todos os lados e essa função social se tornou uma das nossas grandes missões", concluiu a presidente.
O vice-presidente do TRT-CE, desembargador Francisco José Gomes da Silva, que assessora o programa nacional coordenado pela ministra Liana Chaib, destacou o simbolismo do Ceará no combate a essa prática e os desafios específicos da nossa região. Ele reforçou seu otimismo na erradicação do trabalho escravo no Brasil através do compromisso social e da dedicação das instituições judiciárias, enfatizando o papel de liderança assumido pela magistrada do TST no projeto.
"O Ceará é a Terra do Sol, a terra que primeiro libertou os escravos, mas, infelizmente, ainda existe muito trabalho análogo à escravidão. Eu tenho a sorte divina de trabalhar com a ministra Liana neste programa... Discutimos questões como a da carnaúba, um produto exportado em que ainda nos dedicamos muito ao combate à exploração", mencionou o vice-presidente.
Ministério Público do Trabalho
A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT-CE) Christiane Vieira trouxe um relato alarmante sobre a persistência da exploração doméstica e urbana, citando um resgate realizado em Fortaleza na véspera do evento. Ela explicou que o Ministério Público do Trabalho tem intensificado a fiscalização em ambientes que antes eram considerados inacessíveis, revelando que a invisibilidade dessas vítimas é um dos maiores obstáculos para a garantia da liberdade e dos direitos básicos.
"Tivemos um resgate ontem no centro de Fortaleza, onde um trabalhador vivia em uma garagem a 50 graus, dormindo em uma rede entre motos em condições absolutamente terríveis. O combate ao trabalho escravo doméstico é a nossa última fronteira e precisamos que a sociedade aprenda a enxergar essas situações para denunciar. Cada ação de libertação que realizamos é uma vitória para a dignidade de toda a humanidade", finalizou a procuradora do trabalho.













