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Justiça do Trabalho leva debate sobre trabalho infantil a escola pública em Caucaia

Uma fotografia colorida captura dezenas de estudantes e alguns adultos posando em pé em uma sala de aula de paredes brancas, segurando sacolas de pano brancas com alças azuis e o logotipo da Justiça do Trabalho. No primeiro plano, uma mulher com uma camiseta branca que diz "ESCOLAS ACOLHEDORAS" e dois homens vestindo camisas de botão (uma azul e outra cinza) sorriem para a câmera. O teto é revestido por painéis brancos e luzes fluorescentes embutidas.
No evento, foram entregues aos alunos ecobags do Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil

Gestores regionais do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, da Justiça do Trabalho, realizaram, na última sexta-feira (27/3), uma ação educativa na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Vicente Arruda, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A iniciativa reuniu cerca de 50 estudantes e teve como foco conscientizar jovens sobre os riscos do trabalho precoce e apresentar a aprendizagem profissional como alternativa legal e segura de inserção no mercado de trabalho.

Veja mais fotos aqui.

Participaram do encontro o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará Durval Maia e o juiz do trabalho titular da Vara do Trabalho de Crateús, Célio Timbó. Os magistrados dialogaram diretamente com os alunos sobre direitos fundamentais, educação e perspectivas profissionais.

A atividade integra uma política institucional da Justiça do Trabalho voltada ao enfrentamento do trabalho infantil — problema ainda presente no Brasil. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), o país ainda registra mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, muitos deles submetidos a atividades consideradas perigosas ou prejudiciais ao desenvolvimento físico, psicológico e educacional.

O Gemini disse Uma fotografia colorida captura uma sala de aula de tamanho médio, vista de frente e em ângulo, com cerca de 50 estudantes adolescentes sentados em fileiras de mesas de tampo azul e branco, a maioria voltada para a direita, como se estivessem assistindo a uma aula. Muitos usam camisetas de uniforme escolar com as cores verde, branco e amarelo, enquanto outros vestem roupas casuais de cores como roxo, cinza, rosa e azul-petróleo. A sala é bem iluminada por lâmpadas fluorescentes embutidas no teto branco e possui ar condicionado nas paredes brancas, que são parcialmente revestidas por azulejos brancos.
A ação educativa ocorreu na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Vicente Arruda, em Caucaia

Educação como prioridade absoluta

Durante a palestra, o juiz do trabalho Célio Timbó destacou o papel da Constituição Federal na proteção da infância e da juventude. Ele enfatizou o artigo 227, que estabelece ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com prioridade absoluta, direitos como educação, saúde, dignidade e convivência familiar. “O jovem não deve, sozinho, buscar esses bens essenciais. Cabe à família, à sociedade e ao Estado garantir essas condições, por meio de políticas públicas eficazes”, afirmou.

O magistrado chamou atenção para os impactos do trabalho infantil, especialmente nas chamadas piores formas, como o trabalho doméstico. Segundo ele, esse tipo de atividade expõe crianças a riscos invisíveis e, muitas vezes, silenciosos. “O ambiente doméstico pode esconder situações de violência e assédio. Se já é difícil para um adulto reagir a essas situações, imagine para uma criança”, alertou.

Além dos riscos imediatos, Célio Timbó ressaltou que os efeitos do trabalho precoce tendem a se prolongar ao longo da vida. De acordo com o magistrado, as cicatrizes físicas e emocionais, o atraso educacional e a falta de oportunidades deixam marcas profundas que dificultam a inserção plena e digna dos adolescentes na sociedade adulta. “Há prejuízos físicos, emocionais e educacionais que comprometem o futuro desses jovens e dificultam sua inserção digna no mercado de trabalho.”

Uma foto de médio plano, ligeiramente de baixo, captura o orador de barba cerrada, vestindo uma camisa de botões marrom, no canto superior esquerdo. Ele tem o braço direito cruzado sobre o peito e o esquerdo levantado e estendido para a direita com a palma da mão voltada para cima em um gesto de oratória. Ao fundo, no canto inferior direito, um homem careca com óculos e barba vestindo uma camiseta verde-clara olha para ele, com as mãos cruzadas à frente. O ambiente é um ambiente interno utilitário com azulejos de parede brancos, uma porta de alumínio e vidro à direita e um quadro branco esmaecido à esquerda.
O juiz Célio Timbó abordou a relação entre trabalho infantil e desigualdade social

Ciclo da pobreza e mitos sociais

Outro ponto abordado foi a relação entre trabalho infantil e desigualdade social. Segundo o juiz, o fenômeno está profundamente ligado a fatores culturais e econômicos. “O trabalho infantil ainda é visto por muitos como solução para famílias de baixa renda, mas, na prática, ele perpetua o ciclo da pobreza”, explicou. “A criança trabalha cedo, abandona a escola, não se qualifica e, no futuro, enfrenta subempregos ou desemprego, reproduzindo a mesma condição social.”

O juiz Célio Timbó também desconstruiu frases comuns no imaginário popular, como “é melhor trabalhar do que roubar” e “trabalhar não mata ninguém”. Ele citou dados que indicam milhares de acidentes de trabalho envolvendo menores de idade todos os anos no Brasil, alguns com consequências fatais. “Não se trata de escolher entre o trabalho e o crime. A sociedade precisa oferecer alternativas reais, como educação de qualidade, acesso à cultura e políticas públicas inclusivas”, pontuou.

Um homem de camisa azul e boné branco fala em pé ao lado de uma lousa branca, enquanto um grupo de jovens estudantes o observa atentamente sentados em suas bancas. No primeiro plano, uma mesa branca apoia um notebook aberto, um projetor e um celular, com as paredes da sala revestidas por azulejos brancos na parte inferior. Ao fundo, outros adultos acompanham a apresentação em uma sala de aula iluminada por luzes fluorescentes.
Desembargador Durval César Maia destacou a aprendizagem profissional

Aprendizagem como porta de entrada

O desembargador Durval Maia destacou a aprendizagem profissional como o caminho adequado para a inserção de adolescentes no mercado de trabalho, dentro dos limites legais. Prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a aprendizagem permite que jovens, a partir dos 14 anos, conciliem formação teórica e prática em ambiente protegido. “A aprendizagem é a forma mais segura e eficaz de ingresso no mundo do trabalho, pois garante direitos, formação e acompanhamento”, afirmou.

Para ilustrar, o magistrado compartilhou sua trajetória pessoal. Ele ingressou no mercado como aprendiz bancário ainda adolescente, após um processo seletivo concorrido, com milhares de candidatos. “Foi uma experiência desafiadora, conciliando estudo e trabalho, mas que abriu portas. Ao final do programa, já estava inserido no banco. Posteriormente, segui outro caminho, formei-me em Direito e ingressei na magistratura, onde atuo há mais de três décadas”, relatou.

 O Gemini disse Uma mulher de óculos e camiseta branca da "Caravana Escola Acolhedora" fala e gesticula com as mãos em primeiro plano. Atrás dela, um homem de camisa azul registra o momento com um celular, enquanto outro homem de camisa marrom observa a cena com as mãos cruzadas. O grupo está em uma sala de aula com paredes de azulejos brancos e um grande quadro branco ao fundo.
Diretora da unidade escolar, Maria da Silva Moreira

Parceria com a escola

A diretora da unidade escolar, Maria da Silva Moreira, destacou a importância da iniciativa para a formação cidadã dos estudantes. “Hoje, os senhores despertaram no coração desses jovens um desejo de estudar e de mudar de vida”, afirmou. A escola já mantém parceria com a Justiça do Trabalho e, em dezembro do ano passado, foi contemplada com a doação de dez computadores pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), dentro do projeto “Partiu Aula”. A ação faz parte de um esforço mais amplo do Judiciário Trabalhista para aproximar instituições públicas da comunidade escolar e ampliar o acesso à informação.

Ao final do encontro, o desembargador Durval Maia agradeceu à direção do colégio e aos professores que viabilizaram a visita do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil à Escola Vicente Arruda e deixou uma mensagem aos estudantes: “A educação continua sendo o caminho mais sólido para a transformação de vidas. Com dedicação, disciplina e oportunidades, é possível construir um futuro melhor.”