Encontro no TRT-7 (CE) debate o protagonismo feminino e a luta por igualdade
- Página atualizada em 18/03/2026
O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE) sediou, nesta quarta-feira (18/3), o 4º Colóquio "O Poder das Mulheres e as Mulheres no Poder". Organizado pela Escola Judicial, o evento reuniu, no auditório do órgão, magistrados(as), servidores(as), estagiários(as) e o público em geral para discutir a ampliação dos espaços de liderança feminina e os desafios estruturais enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho e nos três poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo). Cinco mulheres apresentaram suas histórias de vida, traçando paralelos entre âmbitos pessoais e profissionais.
Em sua fala de abertura, a presidente do TRT-7, desembargadora Fernanda Uchôa, ressaltou que o evento é de suma importância para todas as mulheres, tanto as que compõem o quadro do Tribunal quanto o público em geral. A magistrada enfatizou que as gestões mais recentes do órgão têm concedido um "protagonismo todo especial" aos direitos da mulher em todos os ramos de atuação jurídica, elevando o patamar das discussões institucionais sobre o tema. “A iniciativa reafirma o compromisso do Tribunal com a pauta de gênero, consolidando o Colóquio como um espaço estratégico de debate sobre o assunto”, declarou.
O diretor da Escola Judicial, desembargador Paulo Régis Machado Botelho, explicou que esta quarta edição foi projetada para reunir nomes femininos de alta representatividade que pudessem inspirar outras trajetórias. As convidadas foram a juíza do trabalho Suyane Belchior, a juíza estadual Bruna Rodrigues, a secretária municipal de saúde Riane Azevedo, a deputada estadual Larissa Gaspar e Dora Andrade, diretora da Escola de Desenvolvimento e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca).
De acordo com o desembargador, o evento ocorre em um momento simbólico, unindo as celebrações de março pelo Mês da Mulher a uma agenda prática de reivindicações. Segundo ele, “o colóquio é uma luta por igualdade, para acabar com a chaga do feminicídio e para que a mulher tenha os mesmos direitos e os mesmos salários".
Trajetórias de empoderamento
As painelistas trouxeram relatos de diferentes esferas do poder, convergindo para a necessidade de humanização e ocupação de espaços. A juíza do trabalho Suyane Belchior, titular da 14ª Vara do Trabalho de Fortaleza, destacou que o evento é uma oportunidade de celebrar conquistas e refletir sobre os caminhos para o futuro. Para ela, é essencial que as mulheres assumam "cada vez mais o seu lugar de fala e o seu protagonismo", contribuindo com uma visão feminina que enriquece a prestação jurisdicional e a sociedade.
No âmbito da justiça estadual, a juíza Bruna Rodrigues reforçou esse sentimento, afirmando que ocupar cargos de liderança permite um olhar diferenciado sobre as vulnerabilidades sociais. Bruna celebrou o momento de integração, pontuando que o diálogo entre diferentes ramos do direito fortalece a luta pela equidade. Sobre seu papel como magistrada, ela foi assertiva: "Somos agentes de transformação social, e não apenas aplicadores de lei", declarou.
A representatividade política e institucional também foi pilar do debate. A deputada Larissa Gaspar ressaltou a importância de levar a perspectiva das mulheres para os espaços de decisão, especialmente na elaboração de leis e políticas públicas. Ela enfatizou que a presença feminina é fundamental para combater as desigualdades de gênero e garantir que as necessidades das mulheres sejam priorizadas na agenda política.
Complementando essa visão, a médica Riane Azevedo, secretária de saúde de Fortaleza, compartilhou os desafios da gestão pública, destacando que a liderança feminina se destaca pela "sensibilidade e capacidade de articulação", qualidades que considerou vitais para o fortalecimento do serviço público e para a promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Já Dora Andrade, fundadora da Edisca, salientou o impacto social por meio do acolhimento da educação. Dora trouxe uma fala emocionante sobre a importância das mulheres utilizarem seu poder para transformar realidades e gerar impacto positivo em comunidades vulneráveis. Segundo ela, “participar de um encontro como este é um reconhecimento de que o poder deve ser uma ferramenta de serviço à vida e à dignidade humana”.
A participação das convidadas foi mediada pela jornalista Jamille Ipiranga. A servidora da Comunicação Social do TRT-7 complementou cada fala pontuando a diversidade de experiências das convidadas. “Independentemente da área de atuação, a união feminina é o motor para derrubar barreiras estruturais que ainda limitam o pleno exercício de seus direitos e capacidades”, acrescentou.
Participação do público
O encontro encerrou-se com uma interação com o público, que participou enviando perguntas para as palestrantes para tirar dúvidas específicas. Ao final do evento, a advogada Hilda Massler, representando a OAB-CE, enfatizou que o Colóquio é uma oportunidade vital para "dar voz às mulheres", permitindo que elas compartilhem suas trajetórias de superação e os desafios enfrentados no exercício da profissão. “A união de mulheres de diferentes áreas, como a magistratura e a advocacia, é o que fortalece a construção de uma rede de apoio mútua. Eventos desse porte são fundamentais para inspirar novas gerações a não desistirem de seus espaços, reforçando que o protagonismo feminino não é apenas uma meta institucional, mas um direito a ser exercido em todas as instâncias da sociedade”, concluiu.













