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“Nossa CearenCidade”: evento do TRT-CE resgata memória urbana de Fortaleza

Um homem jovem, de camisa branca e calça escura, fala ao microfone em um palco ao ar livre à noite. Ao fundo, a fachada iluminada do Tribunal Regional do Trabalho, com colunas brancas e bandeiras. O ambiente é decorado com arranjos de flores coloridas e poltronas modernas sobre um tapete claro.
Sandoval Matoso é professor efetivo de História do Estado do Ceará e docente da rede particular de ensino

O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE) foi palco, na sexta-feira (13/3), do evento “Nossa CearenCidade: Personalidades e Logradouros”. Promovida pela Escola Judicial em parceria com a Divisão de Memória, a iniciativa propõe uma reflexão sobre a história de Fortaleza a partir de personalidades que dão nomes a ruas da cidade, conectando a memória urbana às trajetórias políticas e às estruturas sociais que marcaram o desenvolvimento da capital cearense. O professor e historiador Sandoval Matoso conduziu o debate, que atraiu cerca de 120 pessoas aos jardins da sede do Tribunal.

Veja mais fotos aqui.

Uma mulher de meia-idade, vestindo um blazer listrado e blusa azul, fala ao microfone posicionada atrás de uma mesa com flores. À esquerda, um homem jovem de camisa branca sorri. O cenário é um jardim em frente a um prédio neoclássico branco, com grandes arranjos florais compondo a cena.
Presidente Fernanda Uchôa abriu o evento e saudou os presentes

A abertura do encontro foi realizada pela presidente do TRT-7 (CE), desembargadora Fernanda Uchôa. Em seu discurso, ela destacou que os logradouros de Fortaleza não são apenas nomes em placas, mas arquivos vivos que guardam memórias e escolhas políticas. "Ao compreender quem foram essas figuras e os contextos em que atuaram, ampliamos nosso entendimento sobre os processos históricos, sociais e políticos que marcaram o Ceará", afirmou a desembargadora.

Plano médio de um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos e camisa social bege, falando ao microfone. Ele está em um ambiente externo com vegetação verde ao fundo. À direita, destaca-se um grande arranjo de flores em tons de rosa e amarelo em um vaso ornamental dourado.
Desembargador Paulo Régis destacou a motivação do evento como comemoração aos 300 anos de Fortaleza

Para o desembargador Paulo Régis Botelho, diretor da Escola Judicial, o principal objetivo da iniciativa é contribuir para a formação e a revisitação da história do estado. Ele ressaltou que o estudo das personalidades que denominam as grandes vias da capital é uma forma essencial de conectar o Poder Judiciário à sociedade civil. O magistrado lembrou que a realização desse evento coincide com as celebrações dos 300 anos de Fortaleza, celebrados em 2026. 

Vista panorâmica de um evento ao ar livre em um jardim com palmeiras imperiais. O público está sentado em cadeiras transparentes voltado para um telão que exibe uma pintura histórica. À direita, o prédio do tribunal e mastros de bandeiras; luzes decorativas iluminam os troncos das árvores ao entardecer.
Magistrados, servidores, estagiários e público externo prestigiaram o evento nos jardins da casa-sede do TRT-CE

O diretor explicou que a história contida no contexto urbano simboliza a importância de reverenciar aqueles que ajudaram a moldar a identidade local. “O Tribunal procura, através de um historiador, compartilhar essa experiência com a sociedade”, pontuou o desembargador, sinalizando que a ação terá uma periodicidade definida para abordar diferentes vias e autores. Segundo ele, o projeto pretende focar, a cada encontro, um personagem ou avenida específica, aprofundando o conhecimento sobre o legado deixado por essas figuras na formação da capital.

Pereira Filgueiras e Costa Barros

Em uma apresentação dinâmica e repleta de recursos audiovisuais, o professor Sandoval Matoso apresentou uma análise detalhada e cuidadosa sobre as trajetórias de duas importantes personalidades:  Costa Barros e Pereira Filgueiras. O debate buscou traçar paralelos entre esses personagens, momentos marcantes - como a Confederação do Equador - e as repercussões dessas histórias na organização atual da cidade.

Para o mestre em História, os logradouros não são apenas endereços, mas sinais de disputas de memória que buscam exaltar certas figuras em detrimento de outras, criando um imaginário coletivo que muitas vezes ignora a história específica de cada personagem.

O especialista explicou que a escolha de quem será homenageado é uma forma da própria elite perpetuar sua influência e valores ao longo das gerações. “A maioria das homenagens é voltada a figuras pertencentes a classes privilegiadas e detentoras de poder político e econômico. Analisar a história de Fortaleza e de seus logradouros é fazer um raio-x dessa sociedade: daquilo que ela valoriza, daquilo que ela defende ou daquilo que ela quer perpetuar", pontuou.

Com mais de 10 mil logradouros oficiais na cidade, o professor enfatizou que há um vasto campo a ser explorado para compreender as estruturas sociais que moldaram o Ceará.

Impressões e repercussões

Alguns participantes do evento "Nossa CearenCidade" destacaram a importância da iniciativa para o resgate da identidade local e o fortalecimento do vínculo entre os cidadãos e a história de Fortaleza.

Para o estudante de Direito Eduard Schkaepfer, o evento foi fundamental para suprir uma carência no conhecimento histórico da capital, algo que ele notou ser mais evidente em comparação com outras regiões do país. Ele enfatizou como o aprendizado sobre as personalidades que dão nome às ruas altera a percepção do cotidiano urbano. “Eventos dessa natureza deveriam ocorrer com periodicidade mensal para manter viva a curiosidade e o aprendizado da população sobre a grandeza do Ceará”, sugeriu.

A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - seção CE, Christiane Leitão, descreveu o encontro como um momento "maravilhoso" de aprendizado leve e interativo. Ela ressaltou a participação ativa do público, o que facilitou a absorção das referências históricas e dos logradouros apresentados. “Parabenizo o TRT-CE pela inovação ao promover um debate que conecta a história do estado com a organização da cidade, reforçando a importância da memória para a sociedade cearense”, elogiou a advogada.

Segundo Cláudia Giovana, diretora da Divisão de Gestão de Memória do TRT-7 (CE), a preservação da memória é fundamental para o exercício pleno da cidadania. “A inclusão do evento ‘Nossa CearenCidade’ no calendário institucional, reforça o papel do Tribunal não apenas como órgão julgador, mas como um centro de fomento à cultura e ao resgate histórico do Ceará. É uma iniciativa que humaniza o Tribunal, aproximando a Justiça do Trabalho do cidadão comum por meio da cultura e da história compartilhada”, finalizou a gestora, que participou ativamente na organização do evento.