Ceará registrou 9.296 acidentes de trabalho, com 62 mortes em 2024
- Página atualizada em 25/07/2025
No Ceará, a realidade dos acidentes de trabalho é um reflexo preocupante do cenário nacional. Em 2024, o estado registrou 9.296 acidentes de trabalho, dos quais 62 foram fatais, de acordo com dados das Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs). Os números são divulgados pela gestão regional do Programa Trabalho Seguro (PTS) da Justiça do Trabalho do Ceará, por ocasião do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – 27 de julho.
Esses números revelam uma média anual de 11.700 casos nos últimos 12 anos, com um triste saldo de 675 mortes e 50.358 afastamentos previdenciários nesse período. Tais estatísticas posicionam o Ceará como o 11º estado com mais registros de acidentes de trabalho no país. Um dado que acende um alerta vermelho e exige medidas mais efetivas.
Para a gestora regional do PTS, desembargadora Regina Gláucia Cavalcante, esses números não representam a realidade, já que muitos acidentes não são comunicados. “É crucial ressaltar que os números de acidentes registrados pelas CATs não representam a totalidade dos casos. Muitos acidentes não são comunicados, seja por desconhecimento, omissão ou por receio de retaliações, o que impede uma análise precisa da real dimensão do problema e dificulta a implementação de políticas públicas mais eficazes”.
O Brasil contabilizou mais de 724 mil acidentes de trabalho em 2024. Esses dados, compilados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em parceria com o eSocial e o Ministérioda Previdência Social, mostram que 74,3% foram acidentes típicos (decorrentes da atividade laboral), 24,6% foram acidentes de trajeto e apenas 1% referem-se a doenças ocupacionais. Setores como construção civil, transporte e saúde foram os que apresentaram maior incidência de acidentes.
“Diante desses dados alarmantes, a importância da prevenção se torna ainda mais evidente. A segurança do trabalho não é apenas uma obrigação legal, mas um investimento que traz benefícios inestimáveis para empresas e trabalhadores”, alerta a magistrada. A desembargadora do TRT-CE explica que ambientes de trabalho seguros resultam em menor absenteísmo, maior produtividade, redução de custos com afastamentos e tratamentos, e, acima de tudo, a preservação da vida e da saúde dos profissionais.
Os acidentes de trabalho geram um impacto financeiro e social devastador, que atinge toda sociedade.
- Para o Governo: Os cofres públicos arcam com um ônus significativo. O pagamento de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, pensões por morte e custos com tratamentos médicos e reabilitação são despesas que sobrecarregam a Previdência Social e o Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que, anualmente, o Brasil gaste bilhões de reais com acidentes de trabalho. Embora os valores exatos flutuam, estudos e relatórios do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam para cifras que ultrapassam os R$ 100 bilhões por ano, considerando os custos previdenciários, de saúde e indiretos.
- Para os empresários: As empresas que registram acidentes enfrentam uma série de prejuízos diretos e indiretos. Entre eles, destacam-se os custos com afastamento de funcionários, contratação e treinamento de substitutos, perda de produtividade, danos a máquinas e equipamentos, elevação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) — que impacta o valor pago ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) —, multas e indenizações. Além disso, a reputação da empresa pode ser seriamente afetada, resultando em dificuldades para atrair e reter talentos.
- Para as famílias dos empregados acidentados: O impacto mais doloroso recai sobre as famílias. Um acidente de trabalho pode significar a perda da principal fonte de renda, a necessidade de adaptação a uma nova rotina com um membro da família incapacitado, e em casos fatais, a dor da perda e a desestruturação familiar. Além do sofrimento emocional, há um impacto financeiro direto e a longo prazo, que pode levar muitas famílias à vulnerabilidade social.
Por que 27 de julho?
A escolha do dia 27 de julho para essa importante data remonta a um marco na história da segurança do trabalho no Brasil. Em 1972, nessa mesma data, foi regulamentado o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho e a fiscalização do cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde no trabalho. Essa regulamentação, que representou um avanço significativo na legislação trabalhista brasileira, surgiu da necessidade de conter o crescente número de acidentes de trabalho da época. O objetivo era, e continua sendo, promover um ambiente laboral mais seguro e saudável, através da prevenção e da conscientização.







