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Seminário internacional aborda novas regras de saúde mental no trabalho

Uma fotografia colorida em plano de conjunto captura dez pessoas em um auditório de conferência, de pé em uma única linha sobre um carpete marrom. O homem ao centro tem cabelos grisalhos curtos, usa um terno azul-marinho e segura um livro de capa azul com o título "Lei Brasileira de Inclusão". Ele é ladeado por mulheres que seguram livros de capas amarela e azul-clara, com trajes formais e coloridos, sorrindo para a câmera.
O evento conferiu certificação como projeto de extensão do IFCE

O Tribunal Regional do Trabalho da Sétima Região (CE), sob a gestão da presidente desembargadora Fernanda Uchôa, promoveu, no dia 22 de maio, o I Seminário Internacional de Saúde Mental no Trabalho. Realizado no auditório da Escola Judicial da Sétima Região (Ejud-7), em Fortaleza, o evento teve como foco central os riscos psicossociais e a recente atualização da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1), que estabelece a obrigatoriedade de incluir tais fatores no gerenciamento de segurança e saúde ocupacional de organizações públicas e privadas .

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Sete pessoas estão sentadas lado a lado atrás de uma longa bancada curva de mármore claro, que exibe o brasão da República do Brasil na parte central inferior. O grupo, composto por cinco mulheres e dois homens com roupas formais, está posicionado em frente a uma parede branca com texturas onduladas verticais. Diante de cada participante há microfones de haste flexível e papéis espalhados sobre a superfície de vidro da mesa
Autoridades e palestrantes reunidos à mesa de abertura oficial durante o seminário

A mesa de abertura deu início às atividades da manhã, que contaram também com credenciamento e uma apresentação cultural do Coral Sétima Voz TRT-CE. A coordenação geral do seminário foi composta pelo vice-presidente do Tribunal, desembargador Francisco José Gomes da Silva; pela médica psiquiatra e professora de saúde coletiva, Francinete Alves de Oliveira Giffoni; e pelo professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Francisco Antônio Barbosa Vidal. O evento conferiu certificação como projeto de extensão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).

Uma mulher de cabelos longos e terninho escuro sorri no centro, ladeada por dois homens de terno e óculos, posicionados de pé em um auditório. Ao fundo, vê-se uma longa bancada de mármore claro com tampo de vidro, cadeiras executivas pretas e uma parede texturizada com ondulações verticais brancas. O chão é coberto por um carpete avermelhado e o ambiente é iluminado por luminárias embutidas no teto.
Da esq. para dir: des. Francisco José Gomes, psiquiatra Francinetti Giffone e professor Francisco Antônio Barbosa

Painel Internacional

O "Painel I - Painel Internacional: Vulnerabilidades Emocionais nas Instituições e Responsabilidade Social" abriu os debates técnicos. O desembargador Francisco José Gomes palestrou sobre o tema "Trabalho Análogo ao Escravo e Contexto Atual das Relações de Trabalho no Brasil". Na sequência, o professor titular da Universidade Rey Juan Carlos de Madri (URJC), Luis Manuel Martínez-Domínguez, abordou a transição do falso eu ao eu-original e a necessidade de treinamentos sensíveis no ambiente laboral. Já o professor Fernando Antônio S. de Brito Firmeza, do Núcleo de Relações Internacionais do Centro Universitário Inta (Uninta), expôs a importância do diálogo interinstitucional e internacional para a melhoria do clima organizacional.

Uma mulher de cabelos longos e terninho escuro sorri no centro, ladeada por dois homens de terno e óculos, posicionados de pé em um auditório. Ao fundo, vê-se uma longa bancada de mármore claro com tampo de vidro, cadeiras executivas pretas e uma parede texturizada com ondulações verticais brancas. O chão é coberto por um carpete avermelhado e o ambiente é iluminado por luminárias embutidas no teto.
Des. Paulo Régis Machado Botelho recebe homenagem pelo ingresso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Homenagem

Após o primeiro painel, ocorreu a entrega de uma placa de homenagem ao diretor da Escola Judicial da Sétima Região (Ejud-7), desembargador Paulo Régis Machado Botelho, em reconhecimento à sua recente assunção a uma cadeira no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A honraria foi entregue pela juíza Francisca Sônia Costa, que na ocasião representou a presidência da Associação dos Magistrados do Ceará (AMC). O momento solene contou com a presença do presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da Sétima Região (Amatra 7), Mauro Elvas.

Desafios do sofrimento psíquico e práticas de prevenção

Dando continuidade à programação, o "Painel II: Desafios no Cuidado ao Sofrimento Psíquico no Ambiente Laboral e Implementação da NR1" trouxe as perspectivas de gestores e pesquisadores. A psiquiatra Francinete Giffoni apresentou um panorama atual da saúde mental no Brasil, conectando-o à necessidade da nova normativa. O professor Francisco Antônio Barbosa Vidal debateu a Norma Regulamentadora número 1 (NR-1) sob a ótica da sustentabilidade nas organizações, e o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Ceará (CESAU/CE), professor Leonardo José Aprígio, discutiu a intersecção entre a Mesa Nacional de Negociação Permanente do Sistema Único de Saúde (SUS) e as novas regras de saúde trabalhista.

Na sequência, o "Painel III: NR1 - Um Olhar Integrativo Multidisciplinar Diante da Nova" contou com a participação de Alice dos Santos Melgaço, secretária-geral da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Subsecção Região Metropolitana de Fortaleza (OAB-RMF), que detalhou os reflexos jurídicos das doenças psicossociais no contexto laboral. A especialista em gestão de pessoas, cultura e diversidade, Luana Façanha Rodrigues, palestrou sobre o papel das lideranças no cuidado instituciona. O engenheiro Bertran Ferreira Rodrigues, coordenador de segurança e saúde para a indústria da União das Instituições de Serviço Social e Industrial (Unissin), encerrou o bloco apresentando a segurança como fator promotor de saúde mental.

O último painel do dia, intitulado "Painel IV: Experiências Exitosas na Prevenção de Riscos Psicossociais e Implementação da NR1", reuniu a assistente social, jornalista e presidente da Associação Cearense de Parkinson (ACP), Gláucia Maria Lima Gondim M. Tavares, com o tema focado em estratégias de enfrentamento do estresse laboral. A jornalista da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Elayne Cristina Costa de Souza, abordou a empatia e a comunicação não-violenta como ferramentas práticas, enquanto a advogada trabalhista e consultora jurídica, Nayanna Vitoriano, debateu o limiar entre o diálogo e a judicialização. Antes do encerramento, o evento celebrou o lançamento do "Selo Ouro-NR1".

A Perspectiva dos coordenadores

O desembargador Francisco José Gomes da Silva traçou uma linha do tempo sobre as profundas transformações tecnológicas que vivenciou no ambiente de trabalho, relacionando a saúde da mente com os princípios que regem a Constituição Federal (CF):

"O ser humano é corpo e mente. E a mente é tão ou mais importante do que o corpo. Porque a mente é quem domina o corpo. Quando você não está bem mentalmente, consequentemente você muda o seu metabolismo. A Justiça trabalha com base, o nosso fundamento maior é a Constituição Federal. Então a Constituição de 88, que é a nossa conhecida Constituição Cidadã, ela alberga tudo isso, ela traz os direitos, ela garante uma vida digna, garante a igualdade, garante a segurança e o bem-estar social. E aí agrega o bem-estar social no trabalho e o bem-estar social do trabalhador. E ela traz o fundamento de Estado, a base do Estado. A dignidade da pessoa humana como princípio fundamental da república."

Em seguida, a médica e pesquisadora Francinete Giffoni ressaltou o papel do gabinete coordenado pelo desembargador Francisco José Gomes, que atua diretamente no enfrentamento ao trabalho escravo, tráfico de pessoas e proteção ao imigrante. Ela alertou sobre os dados alarmantes que transformaram o Brasil em um dos países com maior índice de agravos à saúde mental, justificando a urgência da nova Norma Regulamentadora número 1 (NR-1) como um fruto de discussões dedicadas à ergonomia, prevenção de acidentes e bem-estar. Segundo a coordenadora, o aumento expressivo de casos de ansiedade e depressão motivou, inclusive, a criação da primeira pesquisa nacional de diagnóstico de saúde mental pelo governo federal.

Realização e apoio institucional

O I Seminário Internacional de Saúde Mental no Trabalho foi uma realização conjunta do Tribunal Regional do Trabalho da Sétima Região (CE),  através do Programa Nacional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e ao Tráfico de Pessoas e de Proteção ao Trabalho do Migrante, da Clínica de Psiquiatria Francinete Giffoni e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O evento contou com o apoio institucional do Instituto Brasileiro de Direito e Saúde (IBDS), da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE), por meio de sua Comissão de Saúde e Direito Médico, e do Instituto de Desenvolvimento Ético (IDE).