TRT-CE e UFC debatem meios para o enfrentamento do trabalho degradante em carnaubais
- Página atualizada em 13/05/2026
Nesta quarta-feira (13/5), representantes do setor produtivo, do setor acadêmico e do Poder Judiciário reuniram-se na sede do TRT-CE, em Fortaleza, para discutir os desafios e perspectivas da cadeia produtiva da cera de carnaúba, importante atividade econômica do Ceará. O objetivo central do debate foi promover parcerias institucionais para encontrar novos meios de combate ao trabalho degradante nos carnaubais.
O encontro foi conduzido pelo vice-presidente do TRT-CE, desembargador Francisco José Gomes da Silva, que também é gestor regional do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo. Participaram da reunião o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor Custódio Almeida; o empresário Sandino Moreira, representante da UEBT (União para o BioComércio Ético); Edgar Gadelha, representando a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec); e o desembargador Carlos Alberto Trindade Rebonatto.
Durante a reunião, foram debatidas estratégias para o fortalecimento da cadeia da carnaúba, com foco na sustentabilidade, valorização do trabalhador, inovação tecnológica, melhoria das condições de trabalho e combate à informalidade.
Na ocasião, também foi solicitada a colaboração científica da UFC, por meio de estudos, pesquisas e apoio técnico capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor, auxiliando na superação de dificuldades históricas e na construção de soluções inovadoras para a cadeia produtiva da cera de carnaúba.
Segundo o professor Custódio, a UFC pode desenvolver projetos de modelo de reflorestamento para a recuperação de áreas degradadas, que servirão como base para projetos maiores de articulação governamental. Os participantes planejam apresentar as propostas ao Governo Estadual para buscar apoio institucional e financiamento.
Discutiu-se também a necessidade de introduzir novas tecnologias no campo, como máquinas leves operadas por baterias, para facilitar a colheita e melhorar as condições de trabalho. O objetivo é superar métodos arcaicos de extração por meio de modernização da atividade, de modo a torná-la menos penosa e mais eficiente.
Outro desafio abordado foi a sucessão geracional. “É necessário tornar a atividade atrativa para as novas gerações, combatendo o envelhecimento da mão de obra no campo”, apontou Sabino Moreira.
Ao final da reunião, o desembargador Francisco José Gomes considerou o encontro como um passo inicial importante para a construção de um cronograma de ações integradas entre as instituições envolvidas. “Queremos promover estratégias que visam à valorização do trabalhador e da melhoria das condições laborais para erradicar práticas de trabalho degradante, sem deixar de fortalecer a carnaúba como patrimônio econômico, social e cultural do Ceará”, finalizou o magistrado.







