Projeto Trampolim da Diversidade abordou desafios e direitos da comunidade LGBTQIAPN+
- Página atualizada em 13/07/2026
Nesta sexta-feira (10/7), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (Ejud-7), em parceria com o Comitê Gestor Regional do Programa de Equidade do TRT-CE, realizou o projeto “Trampolim da Diversidade: Direito, Carreira e Mente”, iniciativa voltada à promoção da inclusão, da qualificação profissional e do fortalecimento da população LGBTQIAPN+ cearense.
Em parceria com a Ejud-7, atuaram na organização do evento, os integrantes do Comitê do Programa de Equidade, os juízes do trabalho Rossana Tália Modesto e Rafael Marcílio Xerez, além dos servidores Hugo Cardim e Marcus Rógenes Veras.
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O evento contou com a presença de magistrados, servidores, terceirizados e estagiários do TRT-CE e, principalmente, com a população LGBTQIAPN+ do Ceará. Além de trazer uma programação que oferece ferramentas práticas para o fortalecimento da empregabilidade e dos direitos trabalhistas, aproximando essas pessoas da Justiça do Trabalho, a iniciativa também priorizou o atendimento às pessoas trans e travestis.
A mesa de abertura trouxe membros e representantes do Ministério Público do Trabalho do Ceará (MPT-CE), Governo do Ceará, da Prefeitura de Fortaleza e instituições parceiras como o Centro de Referência LGBTQIA + Janaína Dutra. Representando o TRT-CE, esteve presente dando as boas-vindas aos participantes, a presidente da Justiça do Trabalho do Ceará, desembargadora Fernanda Uchôa.
Em sua fala, a magistrada Fernanda Uchôa destacou a relevância em pautar sobre a representação do acesso ao emprego e o olhar que toda a sociedade deve ter para a população LGBTQIAPN+, especialmente para pessoas trans e travestis que frequentemente convivem com a exclusão social e discriminação.
“A Justiça do Trabalho nasceu para proteger direitos, reduzir desigualdades e promover relações de trabalho mais justas. Esse compromisso nos desafia a olhar com atenção para as pessoas que ainda enfrentam barreiras estruturais ao exercício pleno de sua cidadania e ao acesso ao trabalho digno”, apontou.
“Não se nasce mulher, torna-se”
No período da manhã, o juiz do trabalho André Machado Cavalcanti, do TRT da 13ª Região (PB), ministrou a palestra “A diversidade como valor”, abordando temas relacionados à cidadania, à legislação antidiscriminação e aos mecanismos de proteção dos direitos no ambiente de trabalho, trazendo dados e pesquisas para complementar a palestra.
Com citações a Simone de Beauvoir, Judith Butler e até Lélia Gonzalez, a palestra contou com a participação das pessoas presentes no local, que realizaram uma troca de vivências sobre como são suas experiências como mulheres trans e travestis no Ceará e suas lutas anti transfobia e anti LGBTQIAfobia.
“O conceito de trampolim da diversidade remete justamente a uma visão que nós precisamos ter sobre a diversidade. Não como um peso, não como uma carga negativa que muitas vezes ainda é vista na sociedade. Quando a gente fala de diversidade sempre remete à diversidade sexual, à divergência de orientação sexual e identidade de gênero, e isso ainda é visto com uma carga negativa pela sociedade. Nós sabemos de todo o preconceito que existe, mas ela precisa ser enxergada com todo o valor que ela agrega às instituições. E uma instituição com diversidade, é uma instituição plural”, reforçou o juiz do trabalho.
Durante a palestra, os participantes juntamente com André Machado, puderam participar de uma dinâmica elencando e debatendo sobre as questões e desafios maiores para pessoas trans no país. No final da conversa, eles pontuaram que, para construir uma sociedade melhor, é possível através de políticas públicas e da educação.
Posicionamento e empregabilidade
À tarde, a especialista em Desenvolvimento Humano Fernanda Palhano Barbosa conduziu o workshop sobre posicionamento e empregabilidade. A palestrante apresentou estratégias para elaboração de currículos, otimização de perfis profissionais, preparação para processos seletivos e identificação de empresas comprometidas com a diversidade.
Além do circuito de capacitação, o evento ofereceu o acesso a serviços dos cidadãos integrados. Durante o dia, os participantes contaram com a presença do Feirão de Empregabilidade, promovido pela Secretaria da Diversidade do Estado do Ceará (Sediv). Foi realizada a recepção de currículos e a conexão com empresas parceiras. Simultaneamente, ocorreu o Mutirão "RetificAção Fortaleza+", gerenciado pela Coordenadoria da Diversidade da Prefeitura de Fortaleza (Coedvis). Na oportunidade, foi prestada orientação jurídica e suporte documental gratuito para o processo de retificação de nome e gênero.
Fortalecimento emocional da comunidade e oratória
O encontro terminou com o workshop “Fortalecimento Emocional e Oratória”, ministrado pelo psicólogo clínico Rafael Magalhães Grangeiro Caracristi. A dinâmica focou no desenvolvimento da autoconfiança, da inteligência emocional, da comunicação e de habilidades essenciais para o ambiente profissional.
A partir de eventos como o projeto Trampolim da Diversidade, o TRT-CE reafirma seu compromisso com a construção de um ambiente mais inclusivo, diverso e acolhedor para todos da comunidade LGBTQIAPN+, reforçando o fortalecimento dos direitos fundamentais e da cidadania brasileira.







