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Escola de Caucaia recebe ação educativa do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil

Uma foto em grupo num amplo salão mostra dezenas de jovens e alguns adultos em pé, sorrindo e segurando mochilas de pano idênticas para o alto. Os jovens vestem uniformes escolares brancos e verdes. À frente, os coordenadores e autoridades alinham-se ao centro, reforçando o clima de celebração e união do evento educativo.
Os participantes ganharam kits com brindes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil

Cerca de 100 alunos do ensino médio do Colégio Estadual Liceu de Caucaia participaram, na quinta-feira (23/4), de uma ação educativa promovida pela Gestão Regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho do Ceará. A iniciativa contou a participação do desembargador Durval Maia e do juiz do trabalho Célio Timbó, com o objetivo de conscientizar jovens sobre os riscos do trabalho precoce e apresentar a aprendizagem profissional como alternativa legal e segura de inserção no mercado de trabalho.

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Durante o encontro, os estudantes puderam discutir temas relacionados ao trabalho infantil, direitos trabalhistas e oportunidades de qualificação profissional com os gestores regionais. Os magistrados foram recebidos pelo diretor da unidade, José Ossian Ricarte, que agradeceu o apoio da Justiça do Trabalho. No ano passado, a instituição de ensino recebeu a doação de dez computadores, contribuindo para a melhoria da estrutura educacional da unidade.

Três homens adultos posam lado a lado em plano médio, segurando juntos uma mochila tipo saco de cor crua. O saco exibe o logotipo do "Programa de Combate ao Trabalho Infantil". Eles vestem camisas casuais e dois usam bonés brancos. Ao fundo, jovens sentados em cadeiras azuis observam a cena em um ambiente iluminado.
Diretor do colégio, José Ossian Ricarte, entre o juiz Célio Timbó e o desembargador Durval Maia

Ao abrir a programação, o juiz Célio Timbó explicou o funcionamento do Programa, que é uma iniciativa do Tribunal Superior do Trabalho em parceria com os tribunais regionais em todo o país. Segundo ele, o foco é ampliar a conscientização da sociedade sobre os prejuízos do trabalho infantil e orientar sobre caminhos legais para o ingresso de jovens no mercado de trabalho. “Nós buscamos alertar sobre os malefícios do trabalho precoce e mostrar alternativas como a aprendizagem, que permite uma inserção digna e protegida no mundo do trabalho”, destacou.

Durante a palestra, o magistrado reforçou que crianças e adolescentes devem priorizar a formação educacional. “O trabalho é um ambiente com exigências e riscos. A criança não deve estar submetida a essa lógica. O lugar dela é na escola, com atividades voltadas ao estudo, à leitura e ao desenvolvimento pessoal e profissional”, afirmou.

Dados apresentados durante o encontro reforçam a gravidade do problema. Nos últimos cinco anos, foram registrados quase 12 mil acidentes de trabalho envolvendo crianças e adolescentes no Brasil, com 110 mortes. Em 2023, o país contabilizou cerca de 1,6 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, segundo a PNAD Contínua. A região Nordeste concentra o maior número de casos, com aproximadamente 506 mil jovens nessa condição.

Os palestrantes também destacaram que o trabalho infantil está diretamente relacionado a desigualdades sociais. Estudos indicam maior incidência entre jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente negros e moradores de áreas periféricas. Nesse contexto, a educação e a profissionalização foram apontadas como instrumentos fundamentais para romper o ciclo da pobreza.

O desembargador Durval Maia enfatizou a aprendizagem profissional como o caminho adequado para a inserção de adolescentes no mercado de trabalho, dentro dos limites legais previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A modalidade permite que jovens a partir dos 14 anos conciliem formação teórica e prática em ambiente protegido. “A aprendizagem é a forma mais segura e eficaz de ingresso no mundo do trabalho, pois garante direitos, qualificação e acompanhamento”, afirmou.

Para ilustrar, o desembargador compartilhou sua própria trajetória. Ele iniciou a vida profissional como aprendiz bancário ainda na adolescência, após um processo seletivo concorrido. “Foi uma experiência desafiadora, conciliando estudo e trabalho, mas que abriu portas. Depois, segui na área jurídica e estou na magistratura há mais de 30 anos”, relatou.

Projeto Partiu Aula TST

A ação integra o projeto “Partiu Aula TST”, que reúne atividades educativas e socioculturais voltadas à promoção do trabalho decente e à erradicação do trabalho infantil. A primeira etapa do projeto foi realizada em novembro do ano passado, também em escolas de Caucaia, com a participação do rapper Rafa Rafuagi e de artistas locais de hip hop. 

Em dezembro, houve um novo encontro na Aldeia Hip Hop, reunindo representantes da Justiça do Trabalho, educadores e artistas da comunidade. O encerramento da programação ocorreu na sede do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, no dia 5 de dezembro, com a presença de cerca de 400 estudantes e do ministro do Tribunal Superior do Trabalho Alberto Bastos Balazeiro, gestor nacional do programa.

A expectativa da Justiça do Trabalho é ampliar as ações educativas e alcançar um número ainda maior de jovens, fortalecendo a prevenção ao trabalho infantil e incentivando a qualificação profissional. Estão previstas visitas a outras escolas de Caucaia que foram contempladas com o Projeto Partiu Aula TST.