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Thiago de Almeida foi o estudante vencedor do IV Prêmio de Combate ao Trabalho Infantil

“Infância Roubada”, de autoria de Thiago de Almeida, foi a poesia vencedora do IV Prêmio de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, entregue na sexta-feira (28/11), em solenidade realizada no auditório da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE). Ao todo, foram premiadas cinco poesias de autoria de alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares do Ceará, em um universo de 231 trabalhos inscritos.

Thiago de Almeida recebeu a premiação das mãos do getor regional Durval Maia

Veja mais fotos aqui.

Alunos premiados com gestores do Programa, jurados e membros da organiação do evento

O segundo lugar ficou Davi Gomes Nascimento, com a poesia “Infância não se negocia”; o terceiro lugar foi para Sofia Lara Sousa Ferreira, com a poesia “Uma Dor Silenciosa”; em quarto lugar, Gabriel Osmar da Silva Albuquerque, com a poesia “O Menino e a Semente”; e em quinto lugar Natália Layla dos Santos Mesquita, com a poesia “Cordel A Criança e o Trabalho Infantil”. Os cinco autores dos poemas selecionados foram premiados com tablets, dinheiro e certificados.

O Prêmio é uma iniciativa da Presidência do TRT-CE e da gestão regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. O objetivo é conscientizar adolescentes sobre o tema, além de incentivar o público-alvo a atuar como multiplicadores do conhecimento e como agentes de convencimento nos ambientes em que interagem, difundindo a mudança cultural necessária para a promoção dos direitos da criança e do(a) adolescente.

O evento aconteceu no auditório da Ejud7

O gestor regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, desembargador Durval Maia, agradeceu toda a equipe responsável pela organização do Prêmio e ressaltou os resultados das ações promovidas pelo Programa ao longo dos anos de atuação. “É um trabalho que gera muitos frutos e que nos dá uma grande alegria ao ver estes jovens prestes a se inserirem no mundo do trabalho, mas fazendo isso de maneira correta e digna. Desviando-se daqueles caminhos tortuosos que levam ao subemprego e a falta de capacitação”.

O juiz do trabalho Célio Timbó, que também é gestor do Programa, agradeceu aos apoiadores da quarta edição do Prêmio, além de todas as pessoas envolvidas na organização do evento. Em sua fala, o magistrado revelou que durante a análise das poesias observou que havia uma palavra em comum entre elas: esperança. “Então é com essa esperança, com esse sonho que nós estamos hoje aqui. Que as crianças possam desfrutar das três premissas que a gente sempre fala: o brincar, o estudar e o ler. O nosso Prêmio quer dizer isso para todos, que não aceitamos mais uma sociedade onde as crianças trabalham”, enfatizou.

As escolas em que são matriculados os alunos premiados receberam troféu customizado, além de certificado e kits do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. Foram homenageadas as seguintes escolas, pela ordem de classificação: Escola de Ensino Médio Dra. Aldaci Barbosa, Escola de Ensino Médio Dra. Aldaci Barbosa, Escola SESI Euzébio Mota de Alencar, Escola SESI Professora Silvana Machado dos Santos - Unidade de Negócios SESI/Sobral e Escola Municipal de Ocara-CE - Escola de Ensino Fundamental Vereador José Pires de Freitas.

POESIAS PREMIADAS

 

"Infância Roubada"

Thiago de Almeida

Nas mãos pequenas, calos tão precoces,

No rosto, a pressa que apaga as doces

Horas de riso, de sonho e de brincar,

Enquanto a infância se põe a chorar.

 

O sol mal nasce, já se ergue o fardo,

Mochila vazia, mas o corpo pesado.

Não há lousa, nem giz, nem canção -

Só o som rude da exploração.

 

O lápis cede lugar à enxada,

A bola de gude à enxurrada

De obrigações que não lhe cabem,

De dívidas que os adultos sabem.

 

Mas toda criança tem direito à esperança,

A crescer com dignidade e segurança.

Estudar não é luxo, é alicerce e razão,

É o futuro plantado no solo da educação.

 

Livros são asas pra quem quer voar,

São faróis para quem deseja mudar.

E o saber, meu irmão, ninguém tira,

É uma chama acesa que nunca expira.

 

Que nenhuma infância seja interrompida,

Que nenhuma escola seja esquecida.

O trabalho é do adulto - é sua vez.

À criança, o brincar, o aprender, a altivez.

 

 

Infância não se negocia

Davi Gomes Nascimento

Já pensou quantas crianças trocam

o lápis pelo fardo?

Quantos sonhos deixados

pelo peso que vem cedo e penoso?

 

O trabalho furta a infância,

desliga a chama do brincar,

mas a escola reacende a esperança

de um futuro melhor a se transformar.

 

As janelas do conhecimento

dão asas a quem só via chão.

Estudar e aprender,

é o que todos merecem, o

mesmo futuro em sua mão.

 

Não basta tapar os olhos,

é preciso escolher e agir.

A infância é o presente mais genuíno

para descobrir o trajeto para o futuro.

 

Refletir é o primeiro passo,

agir é essencial e

combater o trabalho infantil

é defender a vida real.

 

E se fosse o seu filho

ou a tua filha a lamentar,

com os pés cheios de poeira

sem nunca aprender a sonhar?

 

Vale mais a correria do lucro

ou o brilho de um caderno aberto?

Vale mais a infância perdida

ou um futuro certo?

 

A resposta vive em nós,

no olhar de quem ver:

infância não combina com trabalho,

é hora de sonhar, realizar e florescer.

 

Que cada mãozinha pequena

segure apenas o giz,

pois criança que sonha

é o amanhã que o mundo quis.

 

Nenhuma criança deve

carregar o peso do mundo,

mas sim o direito

de transformá-lo pelo saber.

 

Uma Dor Silenciosa

Sofia Lara Sousa Ferreira

Maria tinha apenas oito anos,

Mas já conhecia pesados desenganos.

O sol nascia e ela se erguia,

Com mãos pequenas que tudo faziam.

 

Enquanto crianças pintavam no chão,

Maria carregava baldes na mão.

Enquanto os meninos corriam na rua sua mente, perdida,

pensava na lua.

 

Ninguém percebia seu peito cansado,

Também não notava seu sonho calado.

Seus olhos, tão fundos, já sem ilusão,

Guardavam o peso de uma prisão.

 

E não era só ela, existem milhares,

Meninos e meninas em tantos lugares.

Nos canaviais, nas casas fechadas,

Infâncias inteirinhas sendo roubadas

 

Mãos delicadas cortando madeira,

Corpos pequenos sofrendo à beira.

A dor escondida atrás da cortina,

A infância negada, a alma que mina.

 

Mas o mundo finge, caminha apressado,

De olhos fechados, um grito abafado.

E cada silêncio que a dor produz,

Apaga da infância a chama da luz.

 

Porém não podemos mais ficar parados,

Nem aceitar sonhos despedaçados.

É tempo de erguer as vozes ao vento,

E transformar a dor em movimento.

 

Porque cada criança merece sorrir,

Ter livros, brinquedos, poder descobrir.

Não carregar peso, viver sem temor,

Mas ser acolhida nos braços do amor.

 

Lutemos por todas, por cada Maria,

Por quem faz da noite o mais belo dia

Pois quando o amanhã vier nos perguntar

 

Que nossa resposta seja em canção:

“Lutamos por elas; ergui a mão.

A infância é sagrada, não pode morrer,

Pois toda criança merece haver!

 

O Menino e a Semente

Gabriel Osmar da Silva Albuquerque

Sob o véu da alvorada,

um pequeno menino de pele cansada.

Pés nus, feridos, no pó do sertão,

carregava o peso que não era sua mão.

 

Enquanto nos campos riam meninos,

correndo livres, traçando destinos,

ele curvava-se, frágil e só,

feito raiz tentando nascer do pó.

 

Mas, oculto no bolso, guardava um tesouro:

uma semente miúda, mais rara que ouro.

Pequenina esperança, calada, dormente,

sonhando ser árvore, livre, potente.

 

À noite, cansado, deitava ao relento,

ouvia o vento contar-lhe um alento:

"Menino, um dia hás de crescer,

mas precisas de água pra florescer."

 

Eis que surgiu, em aurora bendita,

um livro nas mãos, promessa infinita.

Era a escola, de olhar compassivo,

trazendo ao menino um sonho vivo.

 

Com letras e histórias, regou-lhe a raiz,

e a semente acordou, feliz, feliz!

Ramos brotaram, folhas dançaram,

flores no peito, frutos cantaram.

 

Hoje, erguido, qual árvore altiva,

o menino planta o que o mundo cultiva:

não mais trabalho, dor ou opressão,

mas saber, futuro e libertação.

Pois quem rega infância com educação,

colhe na vida flores e nações.

 

Cordel A Criança e o Trabalho Infantil

Natália Layla dos Santos Mesquita

I

Rogo a Deus inspiração

Para narrar nesse verso

E falar da exploração

Que interrompe o progresso

Das crianças que trabalham

Nesse mundo tão perverso

II

Sendo um ato ilegal

O trabalho infantil

Que junto à pobreza

Torna a criança um ser vil

Pequeninos que não sonham

Afetando o juvenil.

III

A criança que trabalha

Perde a sua esperança

Causando grandes traumas

Nessa fase de criança

As pessoas cuidadora

Não garantem segurança.

IV

Corações não tem verbo,

Nesse tal capitalismo.

A criança é indefesa

Para ela é escravismo

O trabalho é sofrimento

Sua estrada é um abismo.

V

Vivendo na miséria,

Em meio a extorsão

A Infância constrangida

A espera de uma ação

E para então sobreviver

Aceita a exploração.

VI

Seus direitos ignorados

Acham que é só dever.

O trabalho é exaustivo

Sem tempo para o lazer.

Ha! como elas queriam

Brincar, ler e aprender.

VII

Criança é como anjos

Não nasceu pra trabalhar

A criança veio ao mundo

Para correr e brincar

O trabalho da criança

É somente estudar.

VIII

Forçados ao trabalho,

Eles ficam traumatizados.

por pessoas desumanas

São humilhados, maltratados

E por mais que se esforcem

Não ceram recompensados

IX

Muitos vão aos roçados

Para sua sustentação.

Jovens abandonados

Sem estudo, sem opção.

Jogados a própria sorte

Convivendo com a exploração.

X

Vamos juntos combater

O trabalho infantil

Da cidade de Ocara

Atravessando o Brasil

A infância é a alegria

Desse país varonil

XI

Vamos realizar ações

E os pequenos acudir,

Acolhendo os nossos jovens

Eles vão evoluir,

Promover a educação

E os excluídos incluir

XII

Para falar da infância

Uma fase de encantos

Movida por sentimentos

Amor ao próximo entre tantos

Sou Poetisa menestrel