Thiago de Almeida foi o estudante vencedor do IV Prêmio de Combate ao Trabalho Infantil
- Página atualizada em 04/12/2025
“Infância Roubada”, de autoria de Thiago de Almeida, foi a poesia vencedora do IV Prêmio de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, entregue na sexta-feira (28/11), em solenidade realizada no auditório da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE). Ao todo, foram premiadas cinco poesias de autoria de alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares do Ceará, em um universo de 231 trabalhos inscritos.
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O segundo lugar ficou Davi Gomes Nascimento, com a poesia “Infância não se negocia”; o terceiro lugar foi para Sofia Lara Sousa Ferreira, com a poesia “Uma Dor Silenciosa”; em quarto lugar, Gabriel Osmar da Silva Albuquerque, com a poesia “O Menino e a Semente”; e em quinto lugar Natália Layla dos Santos Mesquita, com a poesia “Cordel A Criança e o Trabalho Infantil”. Os cinco autores dos poemas selecionados foram premiados com tablets, dinheiro e certificados.
O Prêmio é uma iniciativa da Presidência do TRT-CE e da gestão regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. O objetivo é conscientizar adolescentes sobre o tema, além de incentivar o público-alvo a atuar como multiplicadores do conhecimento e como agentes de convencimento nos ambientes em que interagem, difundindo a mudança cultural necessária para a promoção dos direitos da criança e do(a) adolescente.
O gestor regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, desembargador Durval Maia, agradeceu toda a equipe responsável pela organização do Prêmio e ressaltou os resultados das ações promovidas pelo Programa ao longo dos anos de atuação. “É um trabalho que gera muitos frutos e que nos dá uma grande alegria ao ver estes jovens prestes a se inserirem no mundo do trabalho, mas fazendo isso de maneira correta e digna. Desviando-se daqueles caminhos tortuosos que levam ao subemprego e a falta de capacitação”.
O juiz do trabalho Célio Timbó, que também é gestor do Programa, agradeceu aos apoiadores da quarta edição do Prêmio, além de todas as pessoas envolvidas na organização do evento. Em sua fala, o magistrado revelou que durante a análise das poesias observou que havia uma palavra em comum entre elas: esperança. “Então é com essa esperança, com esse sonho que nós estamos hoje aqui. Que as crianças possam desfrutar das três premissas que a gente sempre fala: o brincar, o estudar e o ler. O nosso Prêmio quer dizer isso para todos, que não aceitamos mais uma sociedade onde as crianças trabalham”, enfatizou.
As escolas em que são matriculados os alunos premiados receberam troféu customizado, além de certificado e kits do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. Foram homenageadas as seguintes escolas, pela ordem de classificação: Escola de Ensino Médio Dra. Aldaci Barbosa, Escola de Ensino Médio Dra. Aldaci Barbosa, Escola SESI Euzébio Mota de Alencar, Escola SESI Professora Silvana Machado dos Santos - Unidade de Negócios SESI/Sobral e Escola Municipal de Ocara-CE - Escola de Ensino Fundamental Vereador José Pires de Freitas.
POESIAS PREMIADAS
"Infância Roubada"
Thiago de Almeida
Nas mãos pequenas, calos tão precoces,
No rosto, a pressa que apaga as doces
Horas de riso, de sonho e de brincar,
Enquanto a infância se põe a chorar.
O sol mal nasce, já se ergue o fardo,
Mochila vazia, mas o corpo pesado.
Não há lousa, nem giz, nem canção -
Só o som rude da exploração.
O lápis cede lugar à enxada,
A bola de gude à enxurrada
De obrigações que não lhe cabem,
De dívidas que os adultos sabem.
Mas toda criança tem direito à esperança,
A crescer com dignidade e segurança.
Estudar não é luxo, é alicerce e razão,
É o futuro plantado no solo da educação.
Livros são asas pra quem quer voar,
São faróis para quem deseja mudar.
E o saber, meu irmão, ninguém tira,
É uma chama acesa que nunca expira.
Que nenhuma infância seja interrompida,
Que nenhuma escola seja esquecida.
O trabalho é do adulto - é sua vez.
À criança, o brincar, o aprender, a altivez.
Infância não se negocia
Davi Gomes Nascimento
Já pensou quantas crianças trocam
o lápis pelo fardo?
Quantos sonhos deixados
pelo peso que vem cedo e penoso?
O trabalho furta a infância,
desliga a chama do brincar,
mas a escola reacende a esperança
de um futuro melhor a se transformar.
As janelas do conhecimento
dão asas a quem só via chão.
Estudar e aprender,
é o que todos merecem, o
mesmo futuro em sua mão.
Não basta tapar os olhos,
é preciso escolher e agir.
A infância é o presente mais genuíno
para descobrir o trajeto para o futuro.
Refletir é o primeiro passo,
agir é essencial e
combater o trabalho infantil
é defender a vida real.
E se fosse o seu filho
ou a tua filha a lamentar,
com os pés cheios de poeira
sem nunca aprender a sonhar?
Vale mais a correria do lucro
ou o brilho de um caderno aberto?
Vale mais a infância perdida
ou um futuro certo?
A resposta vive em nós,
no olhar de quem ver:
infância não combina com trabalho,
é hora de sonhar, realizar e florescer.
Que cada mãozinha pequena
segure apenas o giz,
pois criança que sonha
é o amanhã que o mundo quis.
Nenhuma criança deve
carregar o peso do mundo,
mas sim o direito
de transformá-lo pelo saber.
Uma Dor Silenciosa
Sofia Lara Sousa Ferreira
Maria tinha apenas oito anos,
Mas já conhecia pesados desenganos.
O sol nascia e ela se erguia,
Com mãos pequenas que tudo faziam.
Enquanto crianças pintavam no chão,
Maria carregava baldes na mão.
Enquanto os meninos corriam na rua sua mente, perdida,
pensava na lua.
Ninguém percebia seu peito cansado,
Também não notava seu sonho calado.
Seus olhos, tão fundos, já sem ilusão,
Guardavam o peso de uma prisão.
E não era só ela, existem milhares,
Meninos e meninas em tantos lugares.
Nos canaviais, nas casas fechadas,
Infâncias inteirinhas sendo roubadas
Mãos delicadas cortando madeira,
Corpos pequenos sofrendo à beira.
A dor escondida atrás da cortina,
A infância negada, a alma que mina.
Mas o mundo finge, caminha apressado,
De olhos fechados, um grito abafado.
E cada silêncio que a dor produz,
Apaga da infância a chama da luz.
Porém não podemos mais ficar parados,
Nem aceitar sonhos despedaçados.
É tempo de erguer as vozes ao vento,
E transformar a dor em movimento.
Porque cada criança merece sorrir,
Ter livros, brinquedos, poder descobrir.
Não carregar peso, viver sem temor,
Mas ser acolhida nos braços do amor.
Lutemos por todas, por cada Maria,
Por quem faz da noite o mais belo dia
Pois quando o amanhã vier nos perguntar
Que nossa resposta seja em canção:
“Lutamos por elas; ergui a mão.
A infância é sagrada, não pode morrer,
Pois toda criança merece haver!
O Menino e a Semente
Gabriel Osmar da Silva Albuquerque
Sob o véu da alvorada,
um pequeno menino de pele cansada.
Pés nus, feridos, no pó do sertão,
carregava o peso que não era sua mão.
Enquanto nos campos riam meninos,
correndo livres, traçando destinos,
ele curvava-se, frágil e só,
feito raiz tentando nascer do pó.
Mas, oculto no bolso, guardava um tesouro:
uma semente miúda, mais rara que ouro.
Pequenina esperança, calada, dormente,
sonhando ser árvore, livre, potente.
À noite, cansado, deitava ao relento,
ouvia o vento contar-lhe um alento:
"Menino, um dia hás de crescer,
mas precisas de água pra florescer."
Eis que surgiu, em aurora bendita,
um livro nas mãos, promessa infinita.
Era a escola, de olhar compassivo,
trazendo ao menino um sonho vivo.
Com letras e histórias, regou-lhe a raiz,
e a semente acordou, feliz, feliz!
Ramos brotaram, folhas dançaram,
flores no peito, frutos cantaram.
Hoje, erguido, qual árvore altiva,
o menino planta o que o mundo cultiva:
não mais trabalho, dor ou opressão,
mas saber, futuro e libertação.
Pois quem rega infância com educação,
colhe na vida flores e nações.
Cordel A Criança e o Trabalho Infantil
Natália Layla dos Santos Mesquita
I
Rogo a Deus inspiração
Para narrar nesse verso
E falar da exploração
Que interrompe o progresso
Das crianças que trabalham
Nesse mundo tão perverso
II
Sendo um ato ilegal
O trabalho infantil
Que junto à pobreza
Torna a criança um ser vil
Pequeninos que não sonham
Afetando o juvenil.
III
A criança que trabalha
Perde a sua esperança
Causando grandes traumas
Nessa fase de criança
As pessoas cuidadora
Não garantem segurança.
IV
Corações não tem verbo,
Nesse tal capitalismo.
A criança é indefesa
Para ela é escravismo
O trabalho é sofrimento
Sua estrada é um abismo.
V
Vivendo na miséria,
Em meio a extorsão
A Infância constrangida
A espera de uma ação
E para então sobreviver
Aceita a exploração.
VI
Seus direitos ignorados
Acham que é só dever.
O trabalho é exaustivo
Sem tempo para o lazer.
Ha! como elas queriam
Brincar, ler e aprender.
VII
Criança é como anjos
Não nasceu pra trabalhar
A criança veio ao mundo
Para correr e brincar
O trabalho da criança
É somente estudar.
VIII
Forçados ao trabalho,
Eles ficam traumatizados.
por pessoas desumanas
São humilhados, maltratados
E por mais que se esforcem
Não ceram recompensados
IX
Muitos vão aos roçados
Para sua sustentação.
Jovens abandonados
Sem estudo, sem opção.
Jogados a própria sorte
Convivendo com a exploração.
X
Vamos juntos combater
O trabalho infantil
Da cidade de Ocara
Atravessando o Brasil
A infância é a alegria
Desse país varonil
XI
Vamos realizar ações
E os pequenos acudir,
Acolhendo os nossos jovens
Eles vão evoluir,
Promover a educação
E os excluídos incluir
XII
Para falar da infância
Uma fase de encantos
Movida por sentimentos
Amor ao próximo entre tantos
Sou Poetisa menestrel







