Programa de Combate ao Trabalho Infantil participa da Bienal do Livro do Ceará
- Página atualizada em 14/04/2025
A pungente imagem do "primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra pátria", que encerra o lírico romance Iracema de José de Alencar, ressoa profundamente com as discussões contemporâneas sobre a proteção à criança e o apoio aos agrupamentos familiares. Essa partida prematura, imposta pelas circunstâncias da colonização e do desenraizamento cultural, lança uma sombra sobre o ideal de um lar seguro e um futuro promissor para as novas gerações.
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Foi a partir dessa reflexão da obra alencarina, que o juiz do trabalho Célio Timbó conduziu sua fala na XV Bienal Internacional do Livro do Ceará, no dia 10 de abril, no VI Salão do Professor. O magistrado, que é um dos gestores do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho do Ceará, foi convidado para participar da Roda de Diálogos. A ação do Programa faz parte das comemorações do Dia Nacional do Livro Infantil - 18 de abril.
O bebê Moacir, fruto da união entre o colonizador branco Martim e a índia tabajara Iracema, é arrancado de seu berço ancestral antes mesmo de firmar suas raízes. Sua emigração forçada simboliza a fragilidade da infância diante de forças maiores, sejam elas históricas, sociais ou econômicas. A ausência de uma rede de apoio familiar estável e a perda da identidade cultural inerente à sua dupla herança representam feridas profundas, ecoando os desafios enfrentados por inúmeras crianças e famílias deslocadas ao longo da história e no presente.
A cena final de Iracema, portanto, serve como um doloroso lembrete da importância crucial de políticas públicas e iniciativas sociais voltadas para a proteção integral da criança e o fortalecimento dos laços familiares. Garantir um ambiente seguro, acolhedor e estimulante para o desenvolvimento infantil é um dever fundamental de qualquer sociedade que aspire a um futuro justo e equitativo. Isso implica em oferecer suporte material e emocional às famílias, combatendo a pobreza, a violência e todas as formas de exploração que possam comprometer o bem-estar das crianças.
A triste sina de Moacir, o primeiro cearense a deixar sua terra natal ainda em tenra idade, clama por uma reflexão sobre as responsabilidades coletivas para com a infância e a família. Que essa imagem literária nos inspire a construir sociedades mais justas e protetoras, onde nenhuma criança seja forçada a abandonar seu "berço", seja ele físico ou simbólico, e onde todos os agrupamentos familiares recebam o apoio necessário para florescer. A proteção à criança e o apoio à família são, afinal, os pilares de um futuro mais humano e promissor.
Em sua fala, o juiz do trabalho Célio Timbó ainda mostrou dados sobre trabalho infantil no Brasil, falou da legislação brasileira que protege crianças de trabalhos perigosos ou insalubres e também sobre os riscos que envolvem o trabalho precoce de crianças e de adolescentes. Finalizou sua participação falando dos objetivos do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. A iniciativa da Justiça do Trabalho promove várias ações e projetos com vistas a contribuir para a erradicação do trabalho infantil, bem como icentivar a profissionalização de adolescentes.
Bienal
Realizada de 4 a 13 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, a Bienal teve como tema: Das Fogueiras no Fogo das Palavras: Mulheres, Resistência e Literatura – um convite para que as mulheres levem adiante a tocha da palavra como forma de resistência. A curadoria, inteiramente feminina, foi composta pelas escritoras Sarah Ipiranga, Nina Rizzi, Amara Moira e Trudruá Dorrico.
Para a curadora da Bienal Sarah Ipiranga, o objetivo da Roda de Diálogos foi alcançado. A ideia era colocar o romance de José de Alencar em discussão e mostrar como ele pode ser atualizado. Ela ressaltou a necessidade de se preservar a infância, possibilitando a capacidade de imaginar e fantasiar das crianças. “Quando a criança trabalha prematuramente, você tira isso dela e acaba comprometendo o adulto. Há várias estatísticas que mostram que crianças que foram privadas das fantasias têm uma tendência a uma criminalização muito maior”.







